Indaiatuba, SP, 19 (AE) - O presidente da Comissão Indigenista Missionário (Cimi), dom Aparecido José Dias, afirmou
hoje, na 37ª assembléia da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB), em Indaiatuba (SP), que houve um retrocesso na política indígena do governo federal. Segundo ele, terras que já haviam sido demarcadas em várias regiões, tiveram o processo embargado pelo Ministério da Justiça. De acordo com o religioso, o governo resolveu voltar atrás e ampliar o prazo para eventuais contestações.
Dom Aparecido, que é bispo em Roraima (RR), disse que essa situação está ocorrendo nas regiões de Xupuru, em Pernambuco; Serra do Sol, em Roraima; e Bau, no Pará. Segundo o bispo, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso estaria cedendo às pressões de setores que não estariam interessados na demarcação de terras indígenas, como madeireiras, mineradoras e fazendeiros. Para o presidente do Cimi, o caso de Xupuro é um dos mais graves.
De acordo com o religioso, parentes do vice-presidente, Marco Maciel, que têm fazendas na área, seriam contra as demarcações. "Ouvi isso das pessoas que habitam o local", afirmou. "Temos os nomes de primos e amigos do vice-presidente que estariam pressionando o governo", disse o secretário adjunto do Cimi, Roberto Liebgott. Ele não revelou os nomes.
Em Xupuru, que fica próximo ao município de Pesqueira, disse, estava prevista a demarcação de 27 mil hectares. Naquela região, segundo Liebgott, vivem quatro povos indígenas, num total de 7,5 mil pessoas. Os índios dividem o espaço com pelo menos 80 fazendas. Na serra do Sol, a área para demarcação chega a 1,6 milão de hectares, onde vivem 12 mil índios, enquanto na região de Baú, um milhão de hectares já poderiam ter sido demarcados. "Isso não aconteceu por pressão das madeireiras que exploram o local", disse o secretário adjunto do Cimi.

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