Chico Amaral
Agência Estado
De Brasília
O representante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Roberto Antônio Liebgott, afirmou ontem, na sessão conjunta das comissões de Direitos Humanos e da Seguridade Social, que cerca de 60% dos 236 mil índios do País estão doentes. ‘‘Está sendo estabelecido um processo de extermínio dos índios brasileiros’’, acusou. Segundo ele, a mortalidade em certas áreas indígenas é cinco vezes maior que a média nacional. Em algumas aldeias, disse, morrem 200 crianças em cada grupo de mil.
‘‘Esses números são vergonhosos e não podemos mais aceitar isso’’, reagiu o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Nilmário Miranda (PT-MG). O deputado Alceu Collares (PDT-RJ), presidente da Comissão de Seguridade Social, cobrou do governo federal mais atenção à questão da saúde indígena. Para Liebgott, a Funasa, que recentemente assumiu a responsabilidade pela saúde dos índios, terá que atuar considerando aspectos culturais e éticos de cada comunidade.
Um relatório feito pelo Ministério da Saúde revela a precariedade das condições de saúde dos indígenas. Entre as doenças que mais vitimam os índios, a malária aparece como sendo a principal, com o índice de contaminação chegando a 60% nas regiões Norte e parte do Centro-Oeste. As infecções respiratórias agudas (29%), as doenças diarréicas (4%), a desnutrição (5%) e o alcoolismo são outras causas de morte apontadas entre vários grupos indígenas.
O presidente da Funasa, Mauro Ricardo Costa, garantiu que o órgão criará nos próximos três anos 200 equipes para atender os índios de todo o País. Segundo Costa, a FNS utilizará ainda 100 dentistas, 650 auxiliares de enfermagem e 4 mil agentes indígenas de saúde para garantir o atendimento a estas populações.

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