Cimi denuncia agressão a índios na BA; PF abre inquérito para apurar o caso
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por Roldão Arruda e Agliberto 
Porto Seguro, BA, 18 (AE) - A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar as denúncias de que dois índios foram feridos à bala por pistoleiros na Fazenda Boa Vista, que fica na região litorânea de Barra do Caí, a 170 quilômetros de Porto Seguro, na Bahia. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que divulgou uma nota denunciando os acontecimentos, outros 22 índios, entre eles mulheres e crianças
estariam sendo mantidos prisioneiros na fazenda.
Há 13 dias, os índios ocuparam a fazenda, que afirmam ter sido grilada de seus antepassados há alguns anos. No total, eram 122 ocupantes, que permaneceram lá até ontem à noite. Por volta das 23h30, eles teriam sido emboscados por um grupo de 30 a 40 homens, que chegaram atirando. "Uma saraivada de mais de 50 tiros disparados por pistolas 15 mm, uma espingarda 12, uma metralhadora, vários revólveres calibre 38 e outras armas do tipo espingarda", de acordo com a nota do Cimi.
À tarde, a PF enviou um delegado e quatro agentes ao local. Um procurador da Repúblicou também viajou para lá. Até o final do dia, eles haviam ouvido alguns depoimentos de índios, que confirmaram a fuga do local, após terem sido acordados com disparos de armas durante a noite. Também foram encontradas marcas de disparos em árvores ao redor da fazenda. Até o início da noite, porém, a polícia ainda não havia localizado as duas pessoas que teriam sido feridas à bala. Um dos sócios da fazenda
Vitor Dequech, de 83 anos, desmentiu o tiroteio. Ele disse que os índios saíram pacificamente, depois de terem sido convencidos pela Polícia Militar.
Já em Salvador, o capitão Rosevelt Salustiano Santos, comandante da Polícia Militar do município de Itamaraju, garantiu não ter encontrado nenhum vestígio de conflito. Santos afirmou ter percorrido toda a fazenda e áreas vizinhas com três soldados e não encontrado "nada de anormal". Ele disse ter estadoem hospitais, necrotérios e postos de saúde da região enão ter encontrado qualquer registro sobre índios feridos ou mortos nos últimos dias. (Colaborou Biaggio Talento)


