Curitiba - O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) exige que o Ministério da Justiça desloque uma equipe especial de investigação para apurar o assassinato do índio caingangue Ademir Mendes Alves, 24, da reserva de Palmas (95 km a leste de Pato Branco). O índio morreu degolado na madrugada de domingo, mas só ontem o caso foi denunciado à Fundação Nacional do Índio (Funai), em Brasília.
Numa nota enviada ao governo federal, o CIMI que é ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB vincula a morte a disputas de uma reserva indígena por madeireiros da região. A entidade também cobra do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, uma portaria consumando a demarcação da reserva.
A nota afirma que a demora da publicação da portaria se deve ''a pressões de madeireiros e políticos da região (de Palmas)''. Segundo o CIMI, Alves era ''uma liderança importante da comunidade indígena na luta pela demarcação e garantia da terra'' na reserva. Ele teria participado de uma mobilização recente que expulsou madeireiros da área. A reserva de Palmas tem 3.770 hectares, sendo 2.950 hectares destinados aos índios.
Por volta das 2h de domingo, a Polícia Civil de Palmas foi chamada para atender a um caso de homicídio na estrada vicinal que liga a cidade à reserva caingangue. O corpo do índio Alves foi encontrado degolado por um grupo de agentes de saúde indígenas.
O caso ainda está sendo investigado pela Polícia Civil. A Agência Folha apurou que a Polícia Federal fez apenas um contato com a delegacia local. Procurada ontem para emitir uma posição oficial, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça não ligou de volta para a Agência Folha, ainda que tenha assumido compromisso de que o faria.
O coordenador do CIMI para a região Sul, Roberto Liebgott, disse que hoje representantes da entidade vão se deslocar de Chapecó (SC) até Palmas, para acompanhar o caso de perto. O cacique Albino Veri está em Brasília desde a semana passada. A Agência Folha não conseguiu contatá-lo.
O delegado da Polícia Civil de Palmas, Renato de Lima, disse ontem que prendeu um suspeito da morte do índio e que não vê relação do crime com a questão de disputa da área com madeireiras. ''Não vejo motivo para a Polícia Federal entrar no caso porque é um crime isolado'', afirmou. O delegado não quis revelar a identidade do suspeito, mas disse que ele não é da comunidade caingangue. A morte, segundo ele, teria sido resultado de uma briga de Alves com seu matador.
Escravo - A Delegacia Regional do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul descobriram um foco de trabalho escravo no município de Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre. Pelo menos 19 trabalhadores de empresas que construíam a infra-estrutura para implantação de cabos de fibra ótica de uma grande operadora de telefonia não recebiam salários há três meses e estavam recolhidos a um alojamento precário. Todos são nordestinos e haviam sido aliciados no interior de São Paulo com promessas de emprego no Sul.

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