Cimento desaparece e volta mais caro após alta dos combustíveis
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 01 (AE) - Os preços do cimento serão reajustados entre 3% e 4% de forma imediata, em função do aumento dos derivados de petróleo, determinado pelo governo. A informação é do presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco), Cláudio Elias Conz. De acordo com ele, o custo do cimento está diretamente ligado ao preço do óleo combustível.
Na semana passada, o setor de contrução civil paulista denunciou que o produto havia sumido do mercado e que a indústria esperava o momento para aumentar os preços. "Todo tumulto econômico, como o do mês passado, acaba interferindo no comércio, e o setor da construção não é uma exceção", disse Conz.
O temor de um eventual aumento do preço e da falta do produto, por exemplo, fez as vendas de cimento dispararem 15% em janeiro, em relação ao mês de dezembro do ano passado. "Houve uma demanda especulativa", explicou Conz. Agora que o governo definiu o reajuste dos combustíveis, Conz acredita que o comércio de cimento deva se normalizar. "Compete a nós mater a calma, já que ainda não sabemos como será o comportamento da inflação com o câmbio livre", afirmou.
O presidente da Anamaco prevê uma elevação entre 6% e 6,5% no preço dos materiais de construção este ano, em decorrência do aumento dos impostos, taxas e contribuições sociais, além do reajuste dos combustíveis determinado pelo governo a partir de hoje. Nas refinarias, a gasolina subiu 1,41% e o gás de cozinha (GLP), 1,91%. Já o óleo diesel deve aumentar 1,2% nas refinarias.
Conz negou que existam estoques antigos de cimento, já que o produto é perecível. "O que pode haver são estoques de três ou quatro dias, mais do que isso não, já que cimento de 90 dias estraga", afirmou. Ele concordou, entretanto que o "tumulto" provocado pela desvalorização do real e, depois, pela liberação do câmbio, criaram uma especulação no mercado de cimento. "Se o governo não tivesse falado em aumentar os derivados de petróleo, nada disso teria acontecido e o cimento não teria aumentado",
Alumínio dispara - A grande preocupação do comércio varejista de materias de construção, entretanto, são os preços do alumínio
aço e do vidro. O alumínio, que é produzido com bauxita, energia e mão-de-obra nacionais, aumentou 38%.
"Nada justifica um reajuste desses. Apenas é fruto da especulação", denunciou Conz. Para ele, o governo deveria fazer alguma coisa para evitar esse reajuste "absurdo". De acordo com ele, taxa de importação de alumínio é de 20%, enquanto a de cimento é zero.


