Rio, 23 (AE) - Um acordo inter-regional sobre o tráfico de drogas deverá ser fechado durante a Cimeira América-Latina e Caribe-União Européia., quando será analisado o documento Plano de Ação Global em Matéria de Drogas Entre União Européia, América Latina e Caribe, elaborado por representantes dos blocos em sucessivos encontros internacionais. O último foi em abril, no Panamá, quando se chegou ao texto final, que poderá ser aprovado pelos chefes de Estado e de governo na Cimeira.
Segundo o ministro José Antonio Macedo Soares, responsável, no Itamaraty, pela área de crime organizado, o documento lista, em 12 páginas, uma série de ações conjuntas a serem implementadas pelas duas regiões. Uma das propostas aprovadas, por exemplo, prevê a criação de programas regionais para o controle da lavagem de dinheiro e o lançamento de campanhas educativas, numa tentativa de reduzir a demanda.
O acordo determina ainda a troca de informações sobre a venda, comercialização e exportação de produtos químicos controlados, que são utilizados no preparo de drogas, como a acetona e o éter, e o estudo de formas alternativas de desenvolvimento para regiões que dependem economicamente da plantação de coca, como a Bolívia. O plano de ação prevê a análise de meios técnicos e agrícolas para que as populações dessas áreas plantem outros produtos.
"A possibilidade de acordos de financiamento para o combate ao narcotráfico ficou para ser discutida de forma detalhada mais adiante", explicou Macedo Soares. "Nesse plano, fixamos as grandes linhas de ação que, claro, só se concretizam quando aparece dinheiro."
Extradição - O ministro não acredita que o texto vá sofrer modificações na Cimeira, porque os pontos já foram acordados entre os blocos. "Foram negociações sem problemas", garantiu - até porque houve o cuidado de deixar de fora pontos polêmicos, como os acordos de extradição. "Só na América Latina, há três ou quatro regimes diferentes de extradição e isso dificultaria um consenso", disse Macedo Soares. "No Brasil, por exemplo, não extraditamos cidadãos brasileiros e não podemos assinar um plano de ação que fosse contra a Constituição do País."
O coordenador-geral da Cimeira, embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, informou que o documento será analisado no encontro. Ele lembrou que, nas negociações sobre ações conjuntas de combate ao narcotráfico entre União Européia e América Latina e Caribe, ficou firmado o princípio da responsabilidade compartilhada. "Trata-se do conceito de que a droga tem de ser vista não apenas do ângulo da produção e tráfico, mas também do consumo, comercialização e lavagem de dinheiro", afirmou.

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