Rio, 26 (AE) - A Declaração Conjunta que os chefes de Estado e de Governo dos países da União Européia, Mercosul e Chile anunciarão na segunda-feira (28) não fará menção a datas para início e término das negociações para formação de uma associação de livre comércio entre os seus integrantes. A informação foi divulgada hoje pelo subsecretário-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, que admitiu que a exclusão de prazos poderá atrasar os entendimentos entre os blocos.O Mercosul quer concluir as conversas com a U E até 2005, quando está prevista a formação da área de Livre Comércio das Américas (Alca).
A inexistência de datas representa um retrocesso no mandato negociador trazido pela UE, que estabelecia o início imediato das negociações sobre barreiras não-tarifárias e o começo das discussões sobre barreiras tarifárias a partir de julho de 2001. "É claro que a flexibilidade (de datas) implica um adiamento, mas o importante é a vontade política dos dois lados", disse o diplomata. Graça Lima lembrou que há interesse da UE de não perder a corrida de preferência para os Estados Unidos, que trabalham pela criação da Alca, e do Brasil, que quer aproveitar o prazo para se tornar mais competitivo no setor industrial. O diplomata explicou que as negociações vão estar condicionadas à Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC), previstas para começar no fim do ano.
Segundo ele, constará da Declaração Conjunta a observação de que a Rodada não deverá durar mais do que três anos e que, portanto, o acordo inter-regional não poderá ser firmado antes desse prazo. "Se a Rodada do Milênio se estender por mais de três anos, vai implicar atraso (do acordo UE/Mercosul/Chile)", disse ele. A única acertada na reunião de hoje entre altos funcionários dos países envolvido é novembro deste ano, quando um conselho conjunto dos dois blocos será formado para traçar a metodologia e o cronograma das discussões.

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