São Paulo, 10 (AE) - O embaixador Luiz Felipe Lampreia, ministro das Relações Exteriores, disse hoje que o crédito subsidiado à exportação será um dos alvos principais a ser debatido na Cimeira, o encontro de cúpula dos dirigentes da América Latina, Caribe e Europa, que se realizará nos dias 28 e 29 próximos, no Rio. "Tentaremos eliminá-lo ou reduzi-lo ao máximo", disse.
Na avaliação do ministro Lampreia, a Cimeira do Rio não está esvaziada, apesar da ausência do primeiro ministro britânico Tony Blair e da decisão do governo francês de bloquear a abertura das negociações sobre a criação de uma zona de livre comércio entre a União Européia e o Mercosul, o que na prática levaria à redução dos subsídios para os produtos agrícolas. De uma maneira geral toda Europa subsidia sua agricultura, mas na França o volume é maior.
Lampreia afirmou que a Cimeira do Rio não terá como objetivo ser uma conferência que cause impacto sobre regras financeiras e cifras. O objetivo da conferência será, segundo ele, o de abrir o diálogo para tentar reestabelcer o equilíbrio nas negociações comerciais entre os dois blocos, União Européia e Mercosul.
Segundo dados fornecidos pelo embaixador, nos últimos dez anos as exportações para a União Européia tiveram um crescimento de 24%, enquanto que o crescimento das importações foi de 340%, no mesmo período. "Temos que corrigir este crescimento desiquilibrado do comércio", disse Lampreia. Segundo o embaixador, nos últimos dias a França enviou "sinais ambiguos, de leitura difícil", em relação ao fim do subsídio agrícola. Lampreia avalia, no entanto, que existe uma contradição nessa questão fundamental dos subsídios porque no Brasil existem inúmeras empresas européias cujo objetivo é exportar mais, ganhar mais licitações e obter maior participação nos negócios. "Não posso acreditar que a Europa deseje dar manifestações de desinteresse na política comercial do Mercosul, que é a quarta economia do mundo", disse.
Ainda sobre a questão do subsídio aos produtos agrícolas
o ministro Lampreia afirmou que é possível entender esse mecanismo quando aplicado à produção de um queijo, que seja há 500 anos produzido e comercializado pela mesma família no interior da França. "O que é difícil de entender é a manutenção do subsídio para os frangos que são exportados para Arábia Saudita, por exemplo".
Segundo o ministro, a Cimeira do Rio, proposta pelo presidente francês Jacques Chirac, indica um novo caminho e a quebra de um ciclo inercial no comércio entre os dois blocos. "Essa é a mensagem essêncial da conferência, vamos lançar negociações em bases equilibradas, levando em consideração os interesses do Mercosul na crescente liberalização do comércio". Lampreia destaca, a importância da Europa e a disposição em ocupar um papel de liderança no mundo, para que não fique concentrada regionalmente.
Aço - Sobre o acordo do aço, firmado com os EUA, na semana passada, Lampreia afirmou que foi o único modo de manter as exportações do produto no mercado americano. O acordo reduziu a cota e o preço do aço brasileiro. "Foi uma maneira realista e razoável de proteger a participação do produto no mercado americano, senão fechássemos o acordo nessas bases, não haveria acordo". Em 98 o Brasil exportou 403 milhões de toneladas de aço para os EUA. Pelo acordo firmado, nos próximos cinco anos serão exportados 295 milhões de toneladas/ano.
O ministro Lampreia participou hoje do seminário Diálogo para o Milênio, evento realizado no Memorial da América Latina, preparatório para a Cimeira do Rio.

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