Brasília, 19 (AE) - O Conselho Interministerial do Açúcar e do álcool (Cima), formado pelos ministérios da Agricultura, Fazenda, Planejamento, Energia, Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Itamaraty, se reúne amanhã para deliberar sobre a política que será adotada para o setor no próximo ano, segundo o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cesar Samico. Entre as medidas que deverão ser aprovadas está a extinção dos subsídios concedidos atualmente tanto para o álcool anidro como para o álcool hidratado, aprovadas "ad-referendum" pelo comitê executivo do Cima, que esteve reunido na sexta-feira passada.
Conforme a decisão do Comitê executivo do Cima, os subsídios concedidos atualmente para as distribuidoras serão extintos a partir de primeiro de novembro. No caso do álcool hidratado o governo concede uma subvenção de R$ 0,045 por litro para assegurar a competitividade do produto em relação à gasolina. Com relação ao álcool anidro, o subsídio concedido varia conforme o Estado, sendo que o menor é o autorizado para o Paraná, de R$ 0,037 por litro. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Mário Fortes de Almeida, disse na sexta-feira passada, após a reunião do comitê-executivo que, com a extinção dessas subvenções, o governo poderá reduzir o limite máximo de subsídios para o setor, que este ano foi de R$ 1,1 bilhão, para cerca de RS$ 600 milhões no ano que vem.
Os ministros do Cima também deverão analisar os subsídios autorizados para equalização dos preços do álcool anidro no Nordeste em relação àqueles praticados no Centro-Sul. Os produtores, que recebem atualmente um subsídio de R$ 5,07 por tonelada de cana moída, estão solicitando que este preço seja elevado para R$ 9,4. Márcio Fortes disse que os subsídios serão mantidos no ano que vem, mas ressaltou que a decisão sobre o valor a ser concedido depende dos ministros que integram o Conselho. Também disse que há a intenção de fazer com que os produtores de cana-de-açúcar dos demais Estados produtores que estão incluídos no atual programa de subsídios passem a receber esta subvenção de forma direta, a exemplo do que foi adotado para o Nordeste.
Os ministros deverão ainda se manifestar sobre a concessão ou não dos financiamentos através do sistema de warranty (onde o produtor ou a usina oferece como garantia do empréstimo o seu estoque de álcool) para o setor alcooleiro. Márcio Fortes de Almeida explicou que os técnicos estão fazendo um levantamento do mercado para saber se alguma usina está com esta necessidade. De qualquer forma, garantiu que não há mais ncessidade de que o governo realize leilões para comprar excedente de álcool na mão dos produtores, porque o mercado está razoavelmente equilibrado.

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