Cigarro mata um brasileiro a cada hora
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sexta-feira, 31 de maio de 2002
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Dados da Fundação do Coração (Funcor) revelam que a cada hora um brasileiro morre vítima de doenças ligadas ao fumo. São cerca de 8,5 mil pessoas por ano. O cigarro é a causa provável de cerca de 25 doenças, entre elas o câncer de pulmão, de boca, as doenças cardiovasculares, enfisemas pulmonares e insuficiência coronária.
A principal causa de morte é o câncer de pulmão. Entre 1979 e 1998, a mortalidade por câncer de pulmão cresceu 56% no sexo masculino e 108% entre as mulheres.
Quem fuma tem taxa de mortalidade três vezes superior aos não fumantes e pode chegar a perder 22 anos da expectativa de vida normal.
A fumaça do cigarro tem cerca de 4,7 mil substâncias químicas em forma de partículas e gases. Apesar disso, o Brasil é um dos cinco maiores produtores e exportadores da folha do tabaco. A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) classifica como maiores consumidores latinos do cigarro a Argentina e o Chile (40% da população total). O país latino que menos consome tabaco é o Peru. Anualmente, cerca de 4 milhões de pessoas morrem por causa do tabaco. A previsão é a de que, em 2030, esse número chegue a 10 milhões. Sete em cada dez mortes por uso do cigarro ocorrem em países em desenvolvimento.
O cigarro é a principal causa que pode ser prevenida de mortes nas Américas. São 625 mil mortes todos os anos, 150 mil somente na América Latina. As mortes ocorrem geralmente na meia idade, 50% delas entre os 35 e 69 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que o cigarro é responsável por 25% das mortes por infarto e 30% dos casos de câncer. Da população adulta mundial, um terço fuma. Noventa por cento dos fumantes entram no vício com idades entre 15 e 19 anos.
No Paraná, são registrados anualmente cerca de 14,3 mil óbitos por doenças relacionadas ao tabaco. A estatística não confirma com exatidão o número das mortes que realmente foram provocadas pelo uso excessivo do cigarro. Deste total, 10% se referem à faixa etária entre 15 e 49 anos. Em Curitiba, uma das preocupações tem sido com o câncer de boca. De cada 100 pacientes com problemas na boca, 1,1 tem câncer bucal. Setenta por cento dos que têm a doença têm mais que 40 anos, 56% usam prótese dental e 69% são mulheres.
Para a cardiologista Jackeline Issa, diretora do ambulatório de tabagismo do Instituto do Coração (Incor), os homens têm mais determinação na hora de largar o vício. Ela iniciou há dois anos pesquisas com 100 pacientes com doenças associadas ao tabaco. Quase metade conseguiu deixar o vício com antidepressivo. Estimativas realizadas pelo Incor demonstram que entre 25% e 30% das mulheres no Brasil são fumantes. É um problema sério. Somente conseguem deixar o vício aqueles que querem de fato e conseguem levar a sério o tratamento, afirmou ela.


