Curitiba - Dados da Fundação do Coração (Funcor) revelam que a cada hora um brasileiro morre vítima de doenças ligadas ao fumo. São cerca de 8,5 mil pessoas por ano. O cigarro é a causa provável de cerca de 25 doenças, entre elas o câncer de pulmão, de boca, as doenças cardiovasculares, enfisemas pulmonares e insuficiência coronária.
A principal causa de morte é o câncer de pulmão. Entre 1979 e 1998, a mortalidade por câncer de pulmão cresceu 56% no sexo masculino e 108% entre as mulheres.
Quem fuma tem taxa de mortalidade três vezes superior aos não fumantes e pode chegar a perder 22 anos da expectativa de vida normal.
A fumaça do cigarro tem cerca de 4,7 mil substâncias químicas em forma de partículas e gases. Apesar disso, o Brasil é um dos cinco maiores produtores e exportadores da folha do tabaco. A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) classifica como maiores consumidores latinos do cigarro a Argentina e o Chile (40% da população total). O país latino que menos consome tabaco é o Peru. Anualmente, cerca de 4 milhões de pessoas morrem por causa do tabaco. A previsão é a de que, em 2030, esse número chegue a 10 milhões. Sete em cada dez mortes por uso do cigarro ocorrem em países em desenvolvimento.
O cigarro é a principal causa – que pode ser prevenida – de mortes nas Américas. São 625 mil mortes todos os anos, 150 mil somente na América Latina. As mortes ocorrem geralmente na meia idade, 50% delas entre os 35 e 69 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que o cigarro é responsável por 25% das mortes por infarto e 30% dos casos de câncer. Da população adulta mundial, um terço fuma. Noventa por cento dos fumantes entram no vício com idades entre 15 e 19 anos.
No Paraná, são registrados anualmente cerca de 14,3 mil óbitos por doenças relacionadas ao tabaco. A estatística não confirma com exatidão o número das mortes que realmente foram provocadas pelo uso excessivo do cigarro. Deste total, 10% se referem à faixa etária entre 15 e 49 anos. Em Curitiba, uma das preocupações tem sido com o câncer de boca. De cada 100 pacientes com problemas na boca, 1,1 tem câncer bucal. Setenta por cento dos que têm a doença têm mais que 40 anos, 56% usam prótese dental e 69% são mulheres.
Para a cardiologista Jackeline Issa, diretora do ambulatório de tabagismo do Instituto do Coração (Incor), os homens têm mais determinação na hora de largar o vício. Ela iniciou há dois anos pesquisas com 100 pacientes com doenças associadas ao tabaco. Quase metade conseguiu deixar o vício com antidepressivo. Estimativas realizadas pelo Incor demonstram que entre 25% e 30% das mulheres no Brasil são fumantes. ‘‘É um problema sério. Somente conseguem deixar o vício aqueles que querem de fato e conseguem levar a sério o tratamento’’, afirmou ela.

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