Campanha do Hospital do Câncer de São Paulo quer deixar bem claro que o cigarro mata. Só assim espera-se que possa diminuir no País a incidência de casos de diversos tipos de câncer causados pelo hábito de fumar. Para isso, a instituição lança amanhã a segunda etapa da campanha nacional Câncer de Atitude, que será veiculada gratuitamente na mídia impressa, televisiva, em outdoors e nos ônibus.
‘‘Não adianta apenas dizer que o cigarro faz mal à saúde’’, afirma o diretor clínico do Hospital do Câncer, Daniel Deheinzelin. Segundo ele, é preciso fazer a prevenção primária, que afasta o início do vício.
A primeira etapa da campanha começou em janeiro, enfocando o câncer de pele, que assim como o de pulmão poderia ser evitado com uma mudança de atitude. De acordo com dados do hospital, os tumores de maior incidência no Brasil - pele, pulmão, útero, mama e próstata - são os que têm mais facilidade de prevenção e diagnóstico.
A campanha, com todas as suas etapas, deve durar pelo menos cinco anos. ‘‘Os resultados só poderão ser notados daqui a dez anos, se a incidência de casos começar a cair’’, diz Deheinzelin.
Cerca de 35% de todos os tumores diagnosticados em brasileiros ocorrem em virtude do cigarro. O fumo também é o responsável por 90% das mortes por câncer de pulmão e ainda causa tumores em várias partes do corpo, como na boca, esôfago, faringe, laringe, pâncreas e bexiga.
Por causa disso, a frase ‘‘até que a morte nos separe’’ foi escolhida pelos publicitários da Agência J.W. Thompson, que trabalharam voluntariamente na campanha.
O corretor de seguros Manuel Castro de Souza, de 54 anos, hoje está curado de um câncer no pulmão. Ele fumou durante 20 anos e quando a doença foi diagnosticada, já havia largado o cigarro há 15 anos. ‘‘O mal é irreversível’’, diz Souza.
Ele concorda com o tom chocante da campanha nacional e acha que pode ser eficaz, já que na sua casa a proximidade da morte fez com que todos os seus familiares deixassem o vício do cigarro.

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