Cigarro é o novo vilão de uma velha doença: o derrame cerebral
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de maio de 1997
Cleide Cavalcante, Agência Estado, de São Paulo 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) não quer que o Dia Mundial sem Tabaco passe em brancas nuvens de fumaça. Por isso, determinou aos seus 189 países-membros que lembrem a data, hoje, com campanhas de esclarecimento e, principalmente divulgação dos últimos trabalhos científicos sobre os perigos do fumo.
Um desses trabalhos mais recentes, divulgado em abril deste ano no Congresso Americano de Neurologistas, em São Francisco (EUA), reforça as teses que ligam os males do cigarro aos derrames cerebrais. De acordo com esse estudo, o fumo responde por 12,3% dos casos de pessoas com tendências a sofrer derrame cerebral - os outros riscos são causados pelo álcool, herança genética, pressão alta e problemas cardíacos.
Tão logo esses estudos foram divulgados, os países filiados à OMS passaram a divulgar a advertência nos comerciais sobre cigarros. Os especialistas explicam que nem sempre o derrame (Acidente Vascular Cerebral) pode causar mortes, mas os riscos são maiores no caso dos pacientes que fumam.
O médico Gustavo Nitrini, assistente de clínica médica da Santa Casa de são Paulo, explica o problema na tese de mestrado que está preparando:
1 -Oito segundos depois da inalação, a nicotina do cigarro chega aos pulmões, entra no sangue e vai para o sistema nervoso central.
2 - Logo que entra no sangue, a nicotina e outras quatro mil substâncias encontradas no fumo provocam alterações químicas e liberam uma razoavel quantidade dos radicais livres (substâncias químicas presentes no sangue, em proporções baixas mas que, quando aumentam de número, pode contribuir para a obstrução das artérias).
3 - Como, ao liberar mais radicais, a nicotina ajuda a formar placas de gordura, a artéria pode ser entupida. Neste caso, se a artéria estiver no cérebro o derrame será inevitável.


