Cigarro causa 3 mortes por dia em Curitiba
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segunda-feira, 28 de agosto de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
O cigarro é a principal causa de morte entre pessoas com câncer de pulmão (90%) e bronquite crônica (80%). No ano passado, foram registradas 989 mortes em Curitiba por bronquite e enfizema pulmonar, decorrentes do uso contínuo do tabaco. Isto representa uma média de 82 mortes por mês, quase três por dia. O número é bem superior do que o registrado em 1990, quando o número de mortes por bronquite e enfizema pulmonar era de 150. Os dados, da Secretaria Municipal da Saúde, mostram ainda que 195 pessoas morreram com câncer de pulmão por causa do cigarro em 1999. A maioria do sexo masculino e com idade acima de 50 anos.
A comerciante Eliane Nunes Silva Maciel, de 36 anos, perdeu o pai no último dia 6 por causa de enfizema pulmonar provocado pelo uso intensivo do cigarro. Ela contou que o pai fumou dos 25 aos 67 anos, quando teve que parar de fumar. Os problemas com a saúde dele começaram em 1993, quando sofreu um infarto do miocárdio, em São Paulo. O tratamento em Curitiba começou em 1994. Ele tinha muita força de vontade, muito amor à vida. Quando falaram que ele poderia morrer se continuasse fumando, parou de fumar na hora, declarou ela, muito nervosa.
As complicações de saúde foram aumentando com os anos, mesmo com a abstinência do cigarro. Ele já não aguentava mais andar, perdeu o apetite, começou a ter hemorragia no estômago e no pulmão. Tudo por causa do cigarro, garantiu ela, ao mostrar documentos que comprovariam o fato. Eliane já procurou um advogado e quer entrar na Justiça com um pedido de indenização contra a indústria tabagista. Não quero dinheiro. Quero que alguém pague pelo sofrimento que meu pai passou, pelas noites que ele não conseguiu dormir, pensando que iria morrer a qualquer momento. Nenhum dinheiro do mundo vai pagar a luta que meu pai teve para continuar vivendo, afirmou a comerciante.
A preocupação com as consequências do tabagismo na saúde da população está levando a Secretaria Municipal de Saúde a implantar locais públicos livres do cigarro. No último dia 31 de maio, a sede da secretaria foi declarada livre do tabaco. Lá, nem os funcionários, nem os visitantes, podem fumar no interior do prédio. Hoje, no Dia Nacional de Combate ao Fumo, outras duas áreas serão declaradas livres do cigarro: o Distrito Sanitário da Matriz (que fica nas esquinas da Vicente Machado com a Sete de Setembro) e a Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho (de Atendimento ao Idoso). Até o final do ano, todo o prédio da prefeitura, no Centro Cívico, também deverá fazer parte do programa.
O Hospital Cajuru implantou no mês de maio um comitê para estudar a implantação do projeto de área livre da fumaça em todo o complexo médico. Um ambulatório para funcionários que queiram se livrar do vício já foi aberto. Temos um bom movimento. Atendemos seis pessoas por semana, comemorou o médico pneumologista Paulo Sandoval.
Hoje, das 16 às 17 horas, a Secretaria de Estado da Saúde promove a Teleconferência contra o tabagismo, alcoolismo e pela qualidade de vida. A teleconferência, que será transmitida para todo o Paraná, será realizada no auditório do Colégio Estadual. O palestrante é o médico Jamiro Wanderley, professor da Clínica Médica da Universidade de Campinas (Unicamp) e presidente da Associação dos Mágicos de Campinas. Ele faz parte de um grupo chamado na região de médicos da alegria.
Também hoje, entre às 11h30 e às 13 horas, representantes do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro estarão trocando cigarros por flores na Rua Nilo Peçanha, em frente à instituição.


