Cigarro aumenta agressividade de fungo da candidíase bucal
Outros dois estudos desenvolvidos pela PUCPR, sob coordenação do professor Edvaldo Rosa, mostram a influência da fumaça do cigarro no desenvolvimento da candidíase (ou candidose) bucal. As pesquisas mostram que a fumaça eleva o nível de agressividade da Candida albicans, fungo causador da doença.
''A agressão pela fumaça pode causar o aparecimento de pequenas falhas na superfície da mucosa, facilitando a penetração do fungo. Contudo, até o momento, não se sabia o que a fumaça do cigarro fazia no fungo. Nosso estudo mostrou que quando a Candida albicans, a principal espécie, é exposta à fumaça alguns fatores de virulência são aumentados. Ele passa a produzir mais enzimas que atacam os tecidos e fica mais adesivo às superfícies'', explica.
O primeiro estudo, intitulado ''Aumento da virulência de Candida albicans após exposição à fumaça de cigarros'', foi publicado na Mycopathologia (Holanda) e derivou de dois projetos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da PUCPR, com a participação de alunos de graduação e de mestrado em Odontologia, em parceria com o professor Lakshman Samaranayake, da University of Hong Kong (HKU).
O segundo estudo foi aceito para publicação no prestigiado American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopaedics (Estados Unidos) e mostrou que a fumaça de cigarros aumenta a adesão e formação de biofilme da Candida albicans e do Streptococcus mutans, bactéria associada à cárie, sobre alguns materiais ortodônticos. Esse estudo derivou de uma dissertação de mestrado.
Segundo o professor, existem diversas formas de manifestação da candidíase bucal, desde o popular 'sapinho', o 'vermelhão' que aparece sob dentaduras mal-adaptadas, velhas ou mal-conservadas, até variantes pré-cancerizáveis. O fungo coloniza a boca de seres humanos - está presente em 40% a 90% da população - e passa a atacar tecidos toda vez que encontra condições favoráveis, como redução da imunidade ou da produção de saliva. A doença não é transmissível, mas o fungo sim. (C.P.)





