Cigarreiros bloqueiam ponte
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 1998
Edna Mendes 
Ney de SouzaO protesto dos cigarreiros causou tumulto no lado paraguaio da ponteCerca de 300 cigarreiros fecharam ontem pela manhã a Ponte da Amizade, na fronteira do Brasil com o Paraguai, para protestar contra a ação da Polícia Federal, que colocou cães para impedir o contrabando de cigarros vindos do Paraguai. O protesto dos contrabandistas aconteceu do lado paraguaio da ponte. A Polícia Nacional e a Marinha do Paraguai tiveram que agir para acabar com o tumulto causado pelos cigarreiros.
A ponte ficou interditada por aproximadamente uma hora - entre as 9 horas e as 10 horas -, causando um grande congestionamento humano. A fila de carros chegou a ter mais de dois quilômetros. Duas pessoas foram presas por desacato à polícia.
Segundo a Polícia Federal, a ação com os cães foi realizada como experiência para testar se o método impede realmente o contrabando de cigarros. Os cães, da raça rotweiller, pertecem a uma empresa privada. Cinco animais foram colocados sob a ponte - na cabeceira - e o outro, na passarela.
O objetivo da PF é vencer a estratégia dos cigarreiros, que consiste em jogar as caixas da mercadoria de cima da ponte, para ir apanhá-las na beira do Rio Paraná, fugindo da fiscalização na aduana.
O delegado-chefe da PF, Airton Nascimento Vicente, disse que o órgão aprovou a experiência e que, a partir da semana que vem, deverá ser firmado contrato com a empresa dona dos cães. Nós aprovamos esta experiência. Com a implantação dela, pretendemos reduzir a índice zero o contrabando de cigarros, disse. Segundo ele, o trabalho não terá custo para a PF, porque será patrocinado por um fabricante de rações para cães.
Os cigarreiros ficaram revoltados com a presença dos cães na ponte. Eles alegam que, com isso, fica praticamente impossível atravessar a ponte com o contrabando. Quem vai ter coragem de se atracar com um cachorro daquele tamanho?, perguntou a cigarreira Mabel Soto.
Nós não estamos pedindo a liberação do cigarro, só queremos que tirem os cães para que a gente possa trabalhar, disse ela. Segundo estimativas dos cigarreiros, cerca de 1,5 mil pessoas sobrevivem de contrabando de cigarros na fronteira. A renda mensal de um cigarreiro é de aproximadamente R$ 300,00 por mês.


