Ney de SouzaO protesto dos cigarreiros causou tumulto no lado paraguaio da ponteCerca de 300 ‘‘cigarreiros’’ fecharam ontem pela manhã a Ponte da Amizade, na fronteira do Brasil com o Paraguai, para protestar contra a ação da Polícia Federal, que colocou cães para impedir o contrabando de cigarros vindos do Paraguai. O protesto dos contrabandistas aconteceu do lado paraguaio da ponte. A Polícia Nacional e a Marinha do Paraguai tiveram que agir para acabar com o tumulto causado pelos cigarreiros.
A ponte ficou interditada por aproximadamente uma hora - entre as 9 horas e as 10 horas -, causando um grande congestionamento humano. A fila de carros chegou a ter mais de dois quilômetros. Duas pessoas foram presas por desacato à polícia.
Segundo a Polícia Federal, a ação com os cães foi realizada como experiência para testar se o método impede realmente o contrabando de cigarros. Os cães, da raça rotweiller, pertecem a uma empresa privada. Cinco animais foram colocados sob a ponte - na cabeceira - e o outro, na passarela.
O objetivo da PF é vencer a estratégia dos cigarreiros, que consiste em jogar as caixas da mercadoria de cima da ponte, para ir apanhá-las na beira do Rio Paraná, fugindo da fiscalização na aduana.
O delegado-chefe da PF, Airton Nascimento Vicente, disse que o órgão aprovou a experiência e que, a partir da semana que vem, deverá ser firmado contrato com a empresa dona dos cães. ‘‘Nós aprovamos esta experiência. Com a implantação dela, pretendemos reduzir a índice zero o contrabando de cigarros’’, disse. Segundo ele, o trabalho não terá custo para a PF, porque será patrocinado por um fabricante de rações para cães.
Os cigarreiros ficaram revoltados com a presença dos cães na ponte. Eles alegam que, com isso, fica praticamente impossível atravessar a ponte com o contrabando. ‘‘Quem vai ter coragem de se atracar com um cachorro daquele tamanho?’, perguntou a ‘‘cigarreira’’ Mabel Soto.
‘‘Nós não estamos pedindo a liberação do cigarro, só queremos que tirem os cães para que a gente possa trabalhar’’, disse ela. Segundo estimativas dos ‘‘cigarreiros’’, cerca de 1,5 mil pessoas sobrevivem de contrabando de cigarros na fronteira. A renda mensal de um ‘‘cigarreiro’’ é de aproximadamente R$ 300,00 por mês.

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