Curitiba - A comunidade cigana brasileira quer criar uma cooperativa para organizar o comércio ambulante de roupas de cama, mesa e banho. A idéia é estabelecer a sede da cooperativa em Curitiba para dar oportunidade de emprego a mulheres negras, analfabetas ou sem qualificação profissional. Elas seriam responsáveis pela produção e os ciganos pela venda.
Essa foi uma das propostas discutidas, ontem e anteontem, durante o 2º Seminário Nacional de Questões Ciganas, realizado em Curitiba. A venda de produtos de porta em porta é hoje uma das principais atividade dos grupos ciganos que vivem no Brasil. Não há dados oficiais, mas de acordo com o presidente da Associação de Preservação da Cultura Cigana (Apreci), Cláudio Domingos Ianovitchi, a estimativa é de que existam no País cerca de 600 mil nômades, divididos nos grupos Rom e Kalom. Cigano, segundo ele, foi um termo ''pejorativo'' atribuído a essas comunidades. No Paraná, circulam aproximadamente 4 mil ciganos por mês.
Ianovitchi explicou que para viabilizar a implantação da cooperativa, a intenção é mobilizar os ciganos e buscar ajuda de países como a Alemanha e Japão na doação dos tecidos. ''Estamos pedindo um miniplano Marshal'', complementou. Ele se referiu ao plano de ajuda americana aos países destruídos pela 2 Guerra Mundial, lembrando que o povo cigano também foi vítima do genocídio nazista. Ao lado de cerca de 6 milhões de judeus, nos mesmos campos de concentração, foram massacrados também cerca de 250 a 500 mil ciganos.
Outro assunto apresentado durante o seminário foi o projeto da Secretaria de Estado da Educação para a alfabetização bilíngue português e romani (língua mundial cigana) à distância de crianças ciganas por meio de vídeos.

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