Ciganos ocupam área no Sabará
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terça-feira, 04 de março de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - Um grupo formado por nove famílias ciganas vindas do interior de Santa Catarina e Rio Grande do Sul está acampado há quase um mês numa área de fundo de vale localizada no Jardim Sabará (zona oeste de Londrina). Eles chegaram no dia 6 de fevereiro e prometem partir no mais tardar na próxima segunda-feira. Duas famílias já foram embora. Atualmente, são 11 barracas de grande e médio porte instaladas no terreno, uma das poucas áreas de lazer do bairro.
Não é a primeira vez que os ciganos se instalam ali, e é isso que intriga alguns moradores da Rua Júlio de Castilho, que margeia a área. O aposentado Pedro Tamanini Filho conta que eles não fazem barulho nem muita sujeira e só procuram os vizinhos para pedir água. O que mais incomoda Tamanini é que a área ocupada é de preservação permanente. "Não tem banheiro, não tem água encanada. Como eles fazem para cuidar da higiene?", questionou.
Foi por isso que ele disse que ligou para órgãos da prefeitura e a Polícia Militar pedindo providências quando os ciganos começaram a erguer os barracos. Não obteve retorno de nenhum deles. "Foi um jogo de empurra, a CMTU falando que deveria procurar a Assistência Social, que empurrou para a Cohab. A PM disse que não podia intervir. Aí desisti", relatou o aposentado. Segundo o morador, uma vizinha organizou um abaixo-assinado para evitar que o grupo nômade volte a ocupar a área. A alegação é de que a região se desvalorize com a presença sazonal dos ciganos. "Mas eu acho um exagero", ponderou Tamanini.
Um outro morador, que não quis se identificar, também se mostrou conformado com a situação. Tirando o fato de sua lixeira ser frequentemente usada pelos vizinhos itinerantes, ele afirmou que não se sente ameaçado com a presença deles por ali.
A reportagem da FOLHA conversou com um dos ciganos ontem. Cláudio Mota, de 40 anos, é de Chapecó (SC) e trouxe a esposa, o pai, irmãos e três filhos. Segundo ele, o grupo veio a Londrina porque uma das ciganas de mais idade precisava tratar de dores na perna direita, recém-operada. Algumas famílias são numerosas, o que explica a presença de um líder para organizar a ocupação. Ele não estava lá quando a reportagem chegou. As mulheres vivem da venda de produtos manufaturados, como travesseiros e almofadas. E os homens negociam carros usados. "Estamos esperando receber um dinheiro de umas vendas que fizemos aqui para irmos embora", disse Mota.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), José Roberto Hoffmann, afirmou que, apesar dos ciganos ocuparem uma área pública de fundo de vale, não há como forçá-los a se retirar. "A nossa postura nesse caso é de tolerância porque qualquer processo de reintegração de posse será mais demorado do que o tempo que eles vão permanecer na área. E mais oneroso também. Não compensa. Como temos ciência da natureza itinerante deles, simplesmente não tratamos disso", explicou.
A área de fundo de vale ocupada pelas famílias é uma das poucas opções de lazer dos moradores do Jardim Sabará. E precisa ser melhor cuidada, segundo vizinhos próximos ao terreno. "Quando os ciganos chegaram, o mato em volta da pista estava alto. Depois é que a prefeitura veio roçar", contou o aposentado Pedro Tamanini Filho. A área também compreende um campo de futebol e uma pista de bicicross.


