Franca, 21 (AE) - O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) escolheu Franca para iniciar um projeto piloto de produção industrial integrada no Estado. O projeto, denominado "Cluster" (grupo, em inglês), prevê a formação de blocos entre as empresas calçadistas para melhor comercializar seus produtos no exterior, além de obter vantagens na compra de matéria-prima.
O lançamento oficial do projeto está marcado para o dia 29 de julho, com o Seminário Competitividade Industrial do Pólo Calçadista de São Paulo. Segundo o vice-presidente do Ciesp em Franca e diretor regional do Sebrae no município, Saulo Pucci Bueno, Franca foi escolhida para sediar o projeto porque concentra todas as faixas da cadeia produtiva do setor calçadista.
"Existem no município fabricantes de cola, curtume, máquinas para a fabricação de calçados, até o produto final. O que falta é reunir todos para obter melhores resultados", disse. O projeto é inspirado no sucesso obtido por pequenas e médias empresas localizadas na região do chamado Vale do Silício (Silicon Valley) nos Estados Unidos, considerada a maior produtora de chips e microprocessadores.
No Brasil, exemplos desse sistema já vem sendo implantados informalmente entre cultivadores de uva da região das Serras Gaúchas, ou da indústria moveleira na região de Votuporanga. "O objetivo é oficializar esse tipo de negociação", disse o delegado regional do Ciesp em Ribeirão Preto, Eduardo Molina, um dos principais incentivadores do projeto. Segundo ele, a expectativa é de que a redução dos custos seja de até 40% e o aumento na produtividade, por conta da pressão pelo crescimento da demanda deverá ser de até 35%.
"Os produtores e empresários se unem para ter mais força na hora de negociar uma mercadoria. Ou seja, comprando uma quantidade maior, podem reduzir o preço. O mesmo acontece na hora de vender o produto. Uma pequena indústria pode não conseguir atender grandes encomendas, mas trabalhando em sistema cluster, isso se torna possível, já que todos passam a atender a encomenda de determinado produto", exlplicou.
Qualidade - Com cerca de 360 fábricas e responsável por uma produção de 29 milhões de pares em 98, dos quais, 3,6 milhões exportados, Franca obteve no ano passado um faturamento de US$ 72 milhões com exportações de calçados, o que é considerado pouco para o setor, que já viu essa cifra chegar a US$ 200 milhões há cerca de cinco anos. Mas os números são suficientes para estimular projetos de expansão do setor.
Além de ser pioneira no projeto cluster do Ciesp, Franca também deve ser a primeira cidade no Estado a Ter produtos certificados com o Selo de Qualidade criado pela Secretaria de Ciências e Tecnologia, em parceria com a Secretaria de Abastecimento e Agricultura. O projeto prevê que todo produto que sai do Estado de São Paulo, passe por uma série de testes de qualidade, feitos por institutos, como o Inmetro.
"A intenção do governador ao sugerir a criação do selo de qualidade é diferenciar os produtos feitos no Estado dos demais produzidos em território nacional, dando a vantagem da capacitação técnica oferecida pelas universidades e institutos existentes no estado às empresas que decidirem optar por se instalar aqui, ao invés de benefícios fiscais", disse o vice-presidente do Ciesp de Franca, Saulo Pucci Bueno. O selo de qualidade do calçado, segundo ele, já deverá ser implantado até o final do ano.

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