Cientistas querem exumar vítima de epidemia de gripe
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domingo, 05 de maio de 2002
Agência Efe<br>Londres 
Cientistas britânicos querem exumar o cadáver de uma vítima da epidemia de gripe de 1918 para poder examinar o vírus que matou, ná época, mais de cinquenta milhões de pessoas. Os especialistas do Saint Bartholomews Hospital londrino tentam localizar os descendentes de Phyllis Burn, morta aos 20 anos e cujos restos poderiam ainda abrigar o vírus.
Burn foi enterrada em Twickenham, nos arredores de Londres, em um ataúde de chumbo, no interior de uma câmara de ladrilho, em condições ideais, segundo os cientistas, para que o vírus tenha se conservado. Segundo o jornal, exumar o corpo é uma operação arriscada porque o micróbio ainda poderia conservar sua capacidade letal.
Por isso, o ataúde seria retirado em condições estéreis e o corpo só seria examinado quando estivesse na sede do Instituto Nacional de Pesquisa Médica, no norte de Londres e que conta com os meios para manipular esse tipo de patógenos.
Se os especialistas não conseguirem localizar os descendentes da falecida, o Ministério do Interior poderá autorizar a exumação. Os cientistas esperam encontrar células intactas do vírus para estabelecer sua estrutura genética e prevenir uma epidemia similar à qual açoitou o mundo em 1918.
A gripe continua sendo uma doença mortal em potencial porque o vírus causador muta constantemente e os médicos acham, segundo o jornal, que só é questão de tempo antes que se produza um vírus tão mortal como o de 1918. Até o momento, os cientistas de todo o mundo conseguiram detectar quatro dos oito genes dessa mutação, mas não puderam ainda encontrar o elemento que deu ao vírus capacidade de matar com mais facilidade adultos jovens que anciãos ou crianças.
Segundo o virólogo John Oxford, que encabeça a equipe de pesquisadores de Saint Bartholomews, são necessários, pelo menos, seis meses para fabricar uma nova vacina contra a gripe. Se podemos identificar o fator que lhe acrescenta virulência extra poderemos ter disponíveis a tempo os medicamentos apropriados.


