Cientistas pressionaram pela aprovação
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quarta-feira, 02 de março de 2005
Iolando Lourenço<br>Agência Brasil 
Brasília - Enquanto os religiosos divergem sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias previstas na lei de Biossegurança, entre os cientistas as pesquisas são consideradas essenciais para ajudar na cura de várias doenças - especialmente as musculares e do aparelho locomotor. A diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zats, se reuniu ontem com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE) para discutir a votação da lei.
Zats deixou o encontro otimista quanto à votação da lei. ''Pelo que ele disse, não vai prejudicar a votação. Ele tem todo o direito de ser contrário, mas a maioria é que vai decidir, e ele prometeu ouvir a maioria''. A pesquisadora estava acompanhada de mais de cem familiares e portadores de deficiências que pedem a aprovação da matéria.
Na opinião da pesquisadora, ser contrário à vida é não permitir as pesquisas com células-tronco embrionárias, ''que têm potencial no futuro de salvar vidas não sejam permitidas''. Mayana Zats revelou que há dez anos a comunidade científica realiza pesquisa com células-tronco adultas, mas que as embionárias têm maior capacidade de ajudar na cura das doenças.
A pesquisadora também rebate o argumento da Igreja Católica de que as células-embrionárias são vidas descartadas. ''Só na Inglaterra, há pouco tempo, cinco mil embriões foram descartados porque ninguém queria, e ficava oneroso mantê-los congelados. Não teria sido melhor usá-los para pesquisas do que descartá-los?'', questionou.
O líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), disse que o governo quer votar o projeto da Biossegurança. ''Faremos empenho para isso. Na minha opinião, há na Casa maioria tranquila para manter o texto do Senado, para resolver o futuro da ciência no Brasil e dar oportunidade àquelas pessoas que perderam a condição de ter esperanças a terem uma vida e decente'', disse.
Ontem a bancada do PT, que ainda não fechou questão sobre a lei de Biossegurança, recebeu a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A ministra já manifestou publicamente ressalvas ao plantio com sementes transgênicas no país. O deputado João Alfredo (PT-CE) disse acreditar que a liderança vai liberar o voto da bancada.
O secretário Geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Pedro Scherer, disse ontem em entrevista à uma emissora de rádio que a rejeição da igreja em relação ao Projeto de Lei de Biossegurança se dá por três motivos. Primeiro pela questão do plantio e comercialização dos transgênicos, segundo em função das pesquisas científicas com embriões humanos e em terceiro pelo fato de trazer à discussão a clonagem humana.


