Cientistas políticos dizem que malufismo está no fim
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sexta-feira, 21 de abril de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 22 (AE) - Depois das duas grandes vitórias eleitorais na década passada, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) enfrenta provavelmente a pior crise política desde o início de sua vida pública já no fim da década de 60. A derrota inesperada de Maluf para o PSDB em 1998 e o desempenho de seu sucessor Celso Pitta (PTN) na Prefeitura de São Paulo jogaram o malufismo em declínio e alguns especialistas já consideram o fim desse grupo político uma "boa aposta".
"Dizer que o malufismo acabou é uma boa aposta, mas nada além disso", afirma o professor do Departamento de Política da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Cláudio Golçalves Couto. Ele explicou que, como o malufismo existe em torno do projeto de poder representado por uma única pessoa - Maluf -, quando ela perde o poder os componentes de seu grupo buscam outra opção de sobrevivência.
O cientista político e membro do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Rubens Figueiredo acredita que a crise atual é o "começo do fim" do malufismo. "Como todos os grupos políticos personalistas, o malufismo não criou quadros e esgota-se em si mesmo quando perde a possibilidade de reconduzir-se ao poder", argumenta.
Trajetória - Maluf começou na vida pública em 1967, escolhido pelo governo militar para a presidência da Caixa Econômica Federal (CEF) em São Paulo. Dois anos depois, foi indicado prefeito. Mais tarde, também pela via indireta, chegou a governador do Estado. Em seguida, pelas urnas, conquistou uma vaga de deputado federal.
Tentou a Presidência, mas perdeu a disputa no Colégio Eleitoral para Tancredo Neves. A partir daí, colecionou derrotas e demorou dez anos para conquistar novamente um cargo público.
Retornou em 1993, após vencer o PT na eleição de 1992. Conduziu a gestão no melhor estilo malufista, com grandes obras viárias e investiu em dois grandes projetos sociais: o Cingapura
de urbanização e verticalização de favelas, e Plano de Atendimento à Saúde (PAS), que entrou em crise por causa de denúncias de corrupção.
Encerrou o governo com grande aprovação popular e elegeu o então desconhecido Celso Roberto Pitta do Nascimento prefeito de São Paulo, em 1996. Considerava certa a eleição para o Palácio dos Bandeirantes, mas foi surpreendido por Mário Covas na reta final da campanha de 1998.
O afilhado político Pitta foi duramente atingido pelas denúncias de irregularidades na emissão de títulos públicos municipais e na aplicação dos recursos obtidos. Em seguida, a administração parou por causa da crise financeira provocada pelos gastos excessivos de Maluf em seu último ano de governo.
Contornada a crise financeira, o malufismo é atingido por outro duro golpe: as investigações sobre a suposta existência de funcionários fantasmas em órgãos da Prefeitura e o esquema de corrupção nas Administrações Regionais da cidade. O último capítulo dessa história recente foi a abertura do processo de impeachment contra Pitta.
Os principais articuladores políticos do líder do PPB acreditam que ele terá de disputar a eleição deste ano, caso queira tentar manter seu espaço político. Antes de viajar para a Europa, Maluf afirmou em entrevista à AGÊNCIA ESTADO: "Não pendurei a minha chuteira."


