Cientistas políticos apostam na pressão para começar processo
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 14 (AE) - Cientistas políticos acreditam que a pressão da opinião pública nos partidos vai interferir na decisão dos vereadores sobre a abertura de uma comissão processante (CP) contra o prefeito Celso Pitta, que será votada na terça-feira (18). "Nenhum partido vai querer ser encarado como conivente com toda essa situação", explica o cientista político Rubens Figueiredo.
Legendas como o PMDB, PTB e PFL recomendaram aos parlamentares o prosseguimento das investigações contra Pitta.
Figueiredo explica que a dimensão do caso na mídia e a repercussão na opinião pública aumentou a pressão sobre os partidos.
Opinião semelhante tem o cientista político Cláudio Couto. "A cobrança da opinião pública é muito mais eficaz sobre o partido do que sobre um membro individual", diz Couto. Ele lembra que os candidatos a cargos mejoritários nas próximas eleições não vão querer dividir legenda com envolvidos em denúncias de irregularidades.
A grande expectativa é se os vereadores acatarão as recomenadações partidárias na hora de votar a favor ou contra a abertura de uma CP. "Se os partidos levarem a sério a decisão de punir seus integrantes, eles vão obedecer", explica Couto.
A pior punição seria a expulsão do partido, pois o parlamentar estaria impedido de concorrer à reeleição. A legislação eleitoral exige filiação partidária de, no mínimo, um ano, para que o cidadão possa concorrer. Como a próxima eleição é em outubro, o vereador que fosse expulso não conseguiria registrar a candidatura em outra legenda.
O presidente estadual do PFL, Cláudio Lembo, concorda que vereadores podem ser prejudicados caso não atendam à determinação partidária. Ele diz que, no caso do PFL, o partido não fechou questão porque os dois vereadores pefelistas - Toninho Paiva e Aurelino de Andrade - tinham afirmado que são favoráveis à abertura do processo de impeachment.
"Se o partido fecha uma determinada posição, o vereador tem de respeitar", diz Toninho Paiva. Para o vereador Miguel Colasuonno (PMDB), no entanto, o vereador que tem uma posição individual sobre o assunto votará independente do partido.
"O parlamentar que tiver coragem assume sozinho sua posição", diz Colasuonno. A situação no PMDB é delicada. Apesar de as direções municipal e estadual do partido ter recomendado a abertura da CP contra Pitta, a bancada está dividida. O presidente municipal do partido, João Leiva, passará o fim de semana conversando com parlamentares da bancada, na Câmara. "Espero que todos votem unidos", diz Leiva.
Leiva evita falar em punições para quem não seguir a determinação partidária. Hoje, o partido recebeu um pedido de processo pela Comissão de Ética contra o vereador Ivo Morganti, que votou pelo arquivamento do impeachment do prefeito, ontem (13).
Na terça-feira, o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), deve pôr em votação o relatório aprovado pela comissão especial que analisou o pedido de impeachment. Hoje, o relatório aprovado foi publicado no "Diário Oficial" do Município.


