Cientistas monitoram baleias jubarte
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quarta-feira, 27 de novembro de 2002
Felipe Werneck<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Um grupo de 12 cientistas está monitorando diariamente, por satélite, oito baleias jubarte que migram todos os anos da Antártida para o litoral do Brasil, onde ficam no período de junho a novembro, para reprodução. Até o início do trabalho, há um mês, os pesquisadores brasileiros - auxiliados por especialistas americanos e por um dinamarquês - sabiam apenas que as baleias ficavam no País durante o inverno e a primavera. Não havia informação sobre a localização exata e as rotas migratórias utilizadas até o retorno à Antártida, onde elas permanecem de dezembro a maio, período em que se alimentam para dar continuidade ao ciclo de reprodução - baleias que copulam num ano, voltam para dar à luz no ano seguinte, após 12 meses de gestação.
''É a primeira vez que baleias são marcadas com transmissores de sinais por satélite no Brasil. Nosso objetivo é identificar a rota que elas utilizam para migração e, com isso, será possível propor alternativas para melhorar as ações de preservação em santuários, possibilitando por exemplo o manejo da navegação'', diz o cientista Arthur Andriolo. Ele é especialista em comportamento de mamíferos marinhos, professor do departamento de zoologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJG) e um dos integrantes da equipe.
O trabalho, aprovado em 2001 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é financiado pela Shell. O custo do projeto é de R$ 230 mil por ano. ''Estamos discutindo a continuidade do trabalho no próximo ano, o que vai depender dos resultados. Nosso interesse é fazer esse monitoramento por pelo menos dez anos.''
A especialista em bioacústica Sheila Simão, do departamento de ciências ambientais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, diz que o projeto possibilitou a primeira gravação de sons emitidos por um filhote macho de jubarte em companhia dos pais. ''Não há estudo bioacústico publicado no mundo sobre esse tema. Agora, tenho uma tese de mestrado pela frente. O trabalho será descobrir se, no momento da gravação, o macho está ensinando canções ao filho ou se o filhote já tem uma linguagem própria ao nascer e vai aprendendo'', disse a pesquisadora. Acredita-se que os filhotes aprendam a ''cantar'', mas os cientistas ainda não sabem quem os ensina - os machos cantam para atrair as fêmeas.
Os cientistas contam que a baleia-jubarte, ou preta, foi a espécie escolhida porque possui características que favorecem a fixação dos transmissores - elas aceitam a aproximação de embarcações, têm temperamento dócil e são relativamente lentas. O que permite que as baleias sejam acompanhadas é o TAG, um pequeno transmissor de sinais, monitorado por satélite. Ele é fixado no dorso das baleias por meio de uma vara especialmente preparada para não ferir o animal. Os transmissores emitem sinais que são captados, retransmitidos para uma base na França e disponibilizados via Internet para os pesquisadores.


