Curitiba - A localização de um gene que torna o ser humano suscetível à hanseníase popularmente chamada de lepra pode revolucionar o tratamento da doença. A descoberta foi feita por uma equipe de dez pesquisadores da McGill University Health Centre, de Montreal, Canadá, da qual participa o professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Marcelo Távora Mira.
Para chegar ao gene, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada ''genome scanning'' ou ''scan genômico'', que permite observar, minuciosamente, todos os cromossomos humanos. A pesquisa envolveu 286 famílias do Vietnã do Sul, onde a hanseníase se tornou um problema gravíssimo de saúde até 1997, quando a doença foi eliminada.
A pesquisa vem sendo realizada há três anos, mas ainda não é conclusiva. O que os estudiosos sabem até agora é que o gene está localizado no cromossomo 6. Falta descobrir qual dos genes e qual o defeito genético que favorece o aparecimento da hanseníase. ''Esses resultados inéditos são promissores, o que nos deixa seguros para afirmar que a identificação final desse gene está muita próxima'', projetou.
Com esse resultado, Mira acredita que se poderá avançar na prevenção da hanseníase, com a invenção, por exemplo, de uma vacina molecular que atue sobre o defeito genético e barre a entrada do bacilo da doença nas células. Mas, por enquanto, segundo Mira, essa é só uma hipótese. As possibilidades de tratamento ficarão a cargo de pesquisas futuras.
O fato de a hanseníase persistir em 91 países, apesar de todo o esforço mundial para erradicá-la, reforça a tese de que o componente genético tem forte peso na incidência da doença. A hanseníase, lembra o pesquisador, é totalmente curável, mas apesar disso 43 mil novos casos surgem todos os anos no Brasil, que é a segunda nação do mundo mais afetada pela doença com cerca de 78 mil casos registrados, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na década de 80, havia perto de 12 milhões de doentes em todo mundo. Atualmente, o total de pessoas infectadas baixou para 600 mil.
O resultado da primeira fase da pesquisa será publicado na revista Nature Genetics publicação, segundo Mira, mais lida e mais citada no meio científico. Ele é o único brasileiro a integrar o grupo e foi o primeiro autor do trabalho.

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