Cientistas japonesas recriam condições de origem da vida
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por ELAINE LIES 
Tóquio, 04 (AE-REUTERS) Pesquisadores japoneses informaram num artigo a ser publicado nesta sexta-feira que conseguiram recriar as condições a partir das quais a vida pode ter surgido.
Koichiro Matsuno, da Unversidade de Tecnologia Nagaoka, 270 quilômetros a noroeste de Tóquio, disse que ele e os colegas conseguiram produzir alguns dos elementos constituintes das proteínas a base da vida.
Num possível salto científico no interminável debate sobre a origem da vida, a equipe chefiada por Matsuno montou um sistema artificial que simula o ambiente dos escapamentos térmicos sob os mares de onde água aquecida a grande profundidade jorra para o leito submarino, no qual a água é mais fria.
"Muita gente acredita que o escapamento hidrotérmico foi onde a vida começou, mas estava faltando uma história convincente", declarou Matsuno à Reuters.
Em artigo que escreveu para a publicação especializada "Science", Matsuno e sua equipe informaram como simularam um processo chamado de "polimerização", no qual moléculas complexas neste caso, oligopeptídios, um dos componentes da proteína se formam a partir de aminoácidos mais simples.
Este processo deve ter-se repetido inúmeras vezes, possivelmente com o auxílio do "aquecimento em condições alternadamente secas e úmidas, em ciclos de dia e de noite, em marés e em condições também secas e úmidas que se alternaram em lagoas", escreveram os autores.
Mas Matsuno estava principalmente interessado na idéia do escapamento hidrotérmico. "Perguntei-me onde a vida começou e concluí que devia descer aos escapamentos hidrotérmicos e ao mar primevo", lembrou ele.
Ali, substâncias químicas sintetizadas em escapamentos quentes podem reentrar neles depois de serem resfriadas na água à sua volta e passar por novas reações.
A novidade no que Matsuno e sua equipe fizeram foi a construção de um reator de fluxo que deu ênfase a esse ciclo de frio e de calor, e a posterior adição do aminoácido glicina, que se combinou em moléculas mais complexas de oligopeptídios, num processo escalonado.
Também foi fundamental a adição de íons de cobre, que fizeram as moléculas crescer, disse Matsuno.
"Suponha que você faça uma sopa muito extravagante", explicou. "O melhor meio de preservá-la é pô-la no freezer logo a seguir. Mas, se você quiser acrescentar algumas outras coisas legais, aquece a sopa, acrescenta-lhe os ingredientes e depois a leva de novo ao freezer."
Matsuno disse que, "com este processo, o que você tinha a princípio na panela se transforma em algo muito mais complexo. Aí é que entra nossa história."


