Cientistas identificam os genes do medo
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quarta-feira, 24 de abril de 2002
Agência Efe 
Barcelona - Pesquisadores espanhóis descobriram que o cromossomo 5 contém o gene ou os genes que regulam o medo, o que abre o caminho para entender as causas dos temores humanos e para melhorar o tratamento farmacológico de determinadas fobias.
Os resultados do estudo desenvolvido por uma equipe de cientistas da Universidade Autonoma de Barcelona (UAB) foram publicados este mês na revista Genome Research.
Os dados foram obtidos depois de uma exaustiva pesquisa com mil ratazanas de laboratório que foram submetidas a situações de medo, explicou Alberto Fernández-Teruel, cientista da UAB.
As ratazanas, algumas calmas outras mais agitadas, foram submetidas a experimentos que provocaram medo nelas, como sair a um espaço exterior não frequente, relacionar-se com outras ratazanas desconhecidas, atravessar caminhos sem paredes além de outros testes.
Depois de analisar a reação das ratazanas a diferentes medos induzidos, os investigadores enviaram amostras biológicas dos animais ao Institute of Psychiatry de Londres, ao Wellcome Truste Centre for Human Genetics de Oxford (R.Unido), ao Nutztierwissenschafte de Zurique (Suíça) e ao Dhome Research Laboratories do Neuroscience Research Centre de Essex (R.Unido).
Nesses laboratórios foram analisadas as características genéticas de cada ratazana, cromossomo a cromossomo, e se puseram em relação com suas contestações e reações ante o medo induzido a que tinham sido submetidos.
Desta forma, pôde ser comprovada pela primeira vez a influência de um determinado cromossomo, o 5, nas diversas manifestações do medo e se conseguiu identificar assim o código genético relacionado com as condutas do medo.
A descoberta permitirá um maior aprofundamento no estudo das características e dos condicionamentos genéticos do medo e da ansiedade nos humanos e abrir caminho para a elaboração de fármacos que possam atuar sobre os genes desse cromossomo, explicou o cientista.
Além de acabar com patologias, como fobias, transtornos de ansiedade extremos e stress pós-traumático, a descoberta permitirá analisar condutas derivadas da ausência de medo.
A segunda parte da investigação pretende cotar ainda mais esse espaço genético para localizar o gene ou os genes concretos do cromossomo 5 que condicionam o medo.
A predisposição aos medos deve ser multigenética destacou Alberto Fernández-Teruel , mas também é indubitável que está condicionada pelas experiências e pelo ambiente que a pessoa vive.


