Cientistas que participam da 52ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso Ciência (SBPC) defenderam, ontem, o cultivo, a comercialização e o consumo de alimentos geneticamente modificados. O presidente de honra da SBPC e geneticista-pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Crodowaldo Pavan, disse que proibir transgênicos ‘‘é um atraso para o País’’. ‘‘Sou totalmente favorável à metodologia de transgênicos para produção de alimentos, pois se trata do sistema mais racional de melhoramento de plantas que surgiu na agricultura’’, afirmou.
Pavan enfatizou que os alimentos transgênicos já são produzidos e consumidos em diversos países, entre eles os Estados Unidos. ‘‘Você acha que os americanos são burros ou estão fazendo algo contra a sua população?’’, questionou. Ele disse, ainda, que as entidades e as pessoas que contestam a tecnologia dos transgênicos estão querendo uma garantia impossível de se obter, no sentido de que eles não farão mal nunca. Entretanto, segundo ele, os estudos atuais demonstram que não fazem mal.
A ressalva que ele faz, no entanto, é quanto à atuação dos grupos multinacionais com essa tecnologia, pois podem acabar controlando justamente o mercado de produção de alimentos, quando o mundo precisa de mais alimentos e, portanto, essa tecnologia não pode ficar restrita a um grupo pequeno de empresas. ‘‘O que as multinacionais fazem é horroroso’’, afirmou Pavan.
Também o agrônomo e professor Amílcar Baiardi, da Universidade Federal da Bahia, defende o uso de alimentos transgênicos. ‘‘Não há possibilidade de se fazer agricultura sustentável sem recorrer à modificação genética’’, sustentou. Para ele, o cultivo de alimentos transgênicos permite reduzir a carga de herbicidas e pesticidas usados na agricultura, ajudando a preservar o ambiente. Baiardi entende que a histeria em torno dos transgênicos é ‘‘um fenômeno obscurantista’’.
Segundo o professor, o que as pesquisas atuais identificam como efeitos colaterais do cultivo e do consumo de transgênicos são basicamente dois: em termos ambientais, seria a redução da biodiversidade, especificamente de insetos nas áreas onde esse tipo de alimentos é cultivado; e, na saúde humana, foram identificadas alergias provocadas pelas alterações genéticas. Mas Baiardi pondera que alimentos naturais também podem causar efeitos semelhantes, em termos de alergia.

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