Cientistas criam rato inteligente
Nova York, 01 (AE-AP) - Cientistas criaram por meio de engenharia genética um rato inteligente apelidado de "Doogie", indicando o caminho a ser seguido em pesquisas que possam levar a bebês humanos com QI (Quociente Intelectual) maior, assim como remédios para o tratamento do Mal de Alzheimer e de derrames.
Inserindo um gene extra, pesquisadores produziram uma descendência de ratos que se distinguiram em uma série de tarefas, como reconhecer uma peça de Lego encontrada antes, aprender a localização de uma platafroma escondida debaixo dágua e reconhecer dicas de que eles estavam prestes a receber choques suaves.
A aprendizagem mais rápida e a memória foram fruto do crescimento da produção de uma proteína cerebral chamada NR2B. O rato aprimora suas habilidades na idade adulta, quando o aprendizado e a memória melhoram naturalmente e passam suas habilidades melhoradas para seus descendentes.
"Isso aponta para a possibilidade de que a melhoria de aprendizado e memória, ou até mesmo o QI, é praticável por meios genéticos, por meio da engenharia genética", disse Joe Z. Tsien
professor assistente de biologia molecular na Universidade de Princeton que monitora a equipe de pesquisa.
As descobertas, publicadas na edição de quinta-feira da revista Nature, indicam um mecanismo comum situado na raiz de todo o conhecimento, identificam a proteína NR2B como uma chave para a função cerebral e podem levar a um medicamento para tratar desordens na memória, como o Mal de Alzheimer, aumentando os níveis de NR2B, acrescentou Tsien.
Normalmente, a produção da proteína NR2B diminui com a idade, estando relacionada à perda de memória e habilidade de aprendizagem frequentemente experimentadas por pessoas idosas, informou Tsien.
O trabalho referente ao novo rato representa um atalho na compreensão das funções cerebrais no âmbito molecular, disse o Dr. Robert Malenka, psiquiatra e especialista em ciências comportamentais na Escola de Medicina da Universidade de Stanford.
"Pular deste elegante trabalho molecular em um rato e adaptá-lo aos seres humanos é um salto muito, muito grande", disse Malenka, que não estava envolvido nas pesquisas.





