Cientistas concluem mapa genético do câncer
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quinta-feira, 07 de setembro de 2006
Agência Estado 
São Paulo- O primeiro mapa genético do câncer mostra que quase 200 genes mutantes - a maioria até então desconhecida - ajuda tumores de mama e de cólon (uma região do intestino) a surgir, crescer e se espalhar no corpo. A descoberta, descrita ontem na revista americana Science, pode abrir espaço para novos tratamentos, melhores diagnósticos e mais conhecimento sobre a doença.
Para Kenneth Kinzler, da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo, o mapa mostra que o câncer é mais complexo do que se pensava. ''Existem muitos genes mutantes. Muita coisa parece sair errada'', afirma. ''Esperávamos achar alguns genes, não 200'', explica Tobias Sjoblom, líder da pesquisa.
A equipe analisou 11 amostras de tumores de mama e cólon, retiradas de pacientes. Os dois tipos matam juntos 1,1 milhão de pessoas no mundo por ano.
Foram identificados 189 genes, uma média de 11 por tumor, que claramente mudaram no câncer. ''Não se sabia que a grande maioria desses genes mudava em tumores. Eles parecem afetar também diversas funções celulares, como transcrição, adesão e invasão.''
O estudo pode guiar um projeto dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, lançado em dezembro, de mapear todos os genes envolvidos no desenvolvimento da doença. ''Antecipamos que, à medida que o atlas do genoma do câncer caminhe, conseguiremos identificar a maioria das mudanças genéticas que causam as formas mais importantes e comuns dos principais cânceres'', disse o líder do atlas, Francis Collins.
A intenção é ampliar a aplicação do conhecimento genético na criação de drogas mais eficientes. ''Quase qualquer gene pode ser considerado um alvo terapêutico'', diz Kinzler. ''Estamos convencidos de que esse tipo de estudo fornecerá um dos melhores mapas para vencer o câncer. Quem deixa escapar a oportunidade de ler o plano do inimigo?'' O estudo também pode ajudar na personalização do tratamento.


