Cientistas avaliam alimentos suspeitos
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terça-feira, 25 de junho de 2002
Agência Efe 
Genebra - Cientistas do mundo todo participam de uma reunião a portas fechadas, que começou ontem em Genebra, para avaliar os riscos para a saúde humana da concentração de acrilamida (agente cancerígeno) nos alimentos com fécula (amido tirado de tubérculos e raízes) cozidos em altas temperaturas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) convocaram essa reunião para analisar as descobertas, divulgadas em abril, de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Estocolmo.
O estudo sueco constatou uma alta concentração de acrilamida nos alimentos ricos em amido, como a batata e o pão, submetidos a mais de 180 graus de temperatura. A acrilamida mostrou ser uma substância cancerígena nas experiências clínicas realizadas em animais.
O objetivo da reunião é redigir uma série de recomendações aos consumidores, aos governos e aos pesquisadores que trabalham nesta área.
Segundo dados da Universidade de Estocolmo, a batata frita pode chegar a ter de 300 a 2.300 miligramas de acrilamida por quilo, enquanto que biscoitos, tortas e diversos tipos de pão apresentam de 230 a 650 miligramas.
A OMS recomenda que a ingestão máxima diária dessa substância não supere 0,5 miligramas. Os níveis encontrados nesses alimentos são centenas de vezes maiores dos que existem em alguns produtos, como corantes, alguns plásticos, colas e substâncias utilizadas para purificar a água.
Os resultados da pesquisa sueca foram confirmados posteriormente por outros estudos realizados em centros do Reino Unido, da Noruega, da Alemanha e da Suíça.
Segundo o responsável pelos programas da OMS de segurança alimentar, Jorgen Schlundt, até agora, só foi demonstrado que a acrilamida é cancerígena em animais. Entretanto, as substâncias que são cancerígenas em animais, geralmente também são em seres humanos.


