A aids pode ter passado do macaco para o homem, na África, através da intervenção de uma mosca, a ‘‘Istomoxys calcitrans’’, afirmam investigadores alemães do Instituto Max Planck.
Os cientistas, dirigidos por Gerhard Brandner, apresentam a sua controversa teoria em tese que vai merecer publicação na revista científica ‘‘Naturwissenschaften’’. Eles defendem que a transmissão foi possível porque na África são tradicionalmente caçados muitos primatas cuja carne é vendida em mercados ao ar livre, infestados de moscas. Brandner e a sua equipa argumentam que a mosca em questão tem hábitos alimentares diferentes de outros insetos semelhantes.
A maioria das moscas que picam limita-se a ‘‘beber’’ o sangue do animal ou pessoa afetados, mas a ‘‘Istomoxys calcitrans’’ raspa a pele, ‘‘vomitando’’ o sangue que não conseguiu ingerir da sua picada anterior, que pode estar infetado com o vírus da Aids.
Brandner e o seu colega Werner Kloft demonstraram em 1992 que diferentes estirpes do vírus da Aids sobrevivem nos ‘‘vómitos’’ destas moscas, já que ‘‘a parte dianteira do seu intestino, onde se armazena o sangue que depois é vomitado, está livre de enzimas’’.
Para David Mabey, professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, esta teoria, que será publicada em simultâneo na revista britânica ‘‘New Scientist’’, é uma ‘‘tese interessante’’, mas ‘‘o problema de histórias como esta é que desviam a atenção do problema principal’’. E o problema principal é que ‘‘90 por cento das infecções ocorrem como consequência de relações sexuais sem protecção ou na transmissão da mãe para o filho’’. Por isso, alertam que ‘‘o importante continua sendo a proteção nas relações sexuais, em vez de preocupações sobre a possível picada de uma mosca’’, salienta Mabey.

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