Cientistas afirmam que epidemia de aids começou com picada de mosca
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de março de 2002
Agência Lusa 
A aids pode ter passado do macaco para o homem, na África, através da intervenção de uma mosca, a Istomoxys calcitrans, afirmam investigadores alemães do Instituto Max Planck.
Os cientistas, dirigidos por Gerhard Brandner, apresentam a sua controversa teoria em tese que vai merecer publicação na revista científica Naturwissenschaften. Eles defendem que a transmissão foi possível porque na África são tradicionalmente caçados muitos primatas cuja carne é vendida em mercados ao ar livre, infestados de moscas. Brandner e a sua equipa argumentam que a mosca em questão tem hábitos alimentares diferentes de outros insetos semelhantes.
A maioria das moscas que picam limita-se a beber o sangue do animal ou pessoa afetados, mas a Istomoxys calcitrans raspa a pele, vomitando o sangue que não conseguiu ingerir da sua picada anterior, que pode estar infetado com o vírus da Aids.
Brandner e o seu colega Werner Kloft demonstraram em 1992 que diferentes estirpes do vírus da Aids sobrevivem nos vómitos destas moscas, já que a parte dianteira do seu intestino, onde se armazena o sangue que depois é vomitado, está livre de enzimas.
Para David Mabey, professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, esta teoria, que será publicada em simultâneo na revista britânica New Scientist, é uma tese interessante, mas o problema de histórias como esta é que desviam a atenção do problema principal. E o problema principal é que 90 por cento das infecções ocorrem como consequência de relações sexuais sem protecção ou na transmissão da mãe para o filho. Por isso, alertam que o importante continua sendo a proteção nas relações sexuais, em vez de preocupações sobre a possível picada de uma mosca, salienta Mabey.


