Cientista social define ação da PM como desastrosa
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina "A ação da Polícia Militar no Centro Cívico foi um desastre sem precedentes no Estado", afirmou o cientista social Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), referindo-se ao conflito entre policiais e professores no cerco à Assembleia Legislativa, na última quarta-feira, que terminou com cerca de 200 manifestantes feridos.
De acordo com Bodê, o uso desmedido de forças teve respaldo de toda a cadeia de comando. "A responsabilidade começa pelo governador, passa pelo secretário de segurança e vai até o comandante da PM. São cenas inaceitáveis em um País democrático", argumentou. Segundo ele, toda a estratégia foi equivocada. "Quando você tem policiais jogando bombas de helicópteros, fica claro o total despreparo. Ainda que menos letais, os artefatos possuem pressão que podem causar grandes estragos se atingir a cabeça de uma pessoa, por exemplo", condenou.
A convocação de tropas do interior do Estado para atuar no cerco também foi criticada por Bodê. "Neste caso temos dois problemas claros: as cidades que ficam descobertas, mais vulneráveis à criminalidade, e a atuação de policiais não treinados para este tipo de ação, apenas para aumentar o poder de repressão", criticou.
Para o professor, o procedimento a ser adotado pelos policiais seria isolar os grupos radicais, flagrados arrancando pedras da calçada para atirar contra os militares. "Se a polícia não consegue identificar e usar 'força progressiva' apenas contra quem comete abusos, algo está muito errado", opinou. "O que vimos não foram 'black blocks' feridos, mas sim mulheres, idosos, cadeirantes que na sua grande maioria, faziam uma manifestação legítima", completou. Em Londrina, diversas pessoas se manifestaram na Concha Acústica ontem pela manhã e à noite contrárias à ação da PM na última quarta-feira e criticando a postura do governador Beto Richa em relação ao episódio.
OUTRO LADO
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) divulgou nota ontem lamentando o episódio e informando que a PM definiu a abertura de inquérito policial militar para apurar a conduta dos profissionais envolvidos no confronto desta tarde, com o acompanhamento do Ministério Público do Paraná. "A Secretaria da Segurança Pública ressalta que, a todo momento, a orientação foi para que se evitasse o confronto".
Segundo o órgão, desde o início da manifestação dos servidores a PM se reuniu com representantes dos sindicatos para apresentar o esquema de segurança e evitar conflitos. A nota trouxe ainda uma declaração do comandante-geral da PM, coronel Cesar Vinícius Kogut, que justificou a ação dizendo que a PM "reagiu à tentativa dos manifestantes de descumprir a ordem judicial ao tentar invadir a Assembleia Legislativa". Segundo a PM, 13 pessoas foram detidas e, entre elas, estariam integrantes do movimentos 'black blocs' que já haviam sido identificados em atos violentos em manifestações anteriores. Por meio da assessoria de imprensa, a corporação reiterou o confronto teve início "após algumas pessoas derrubar a grade que fazia o cerco à entrada à Assembleia Legislativa e avançar para cima dos policiais."


