Curitiba - O fim da estrutura militar da polícia poderia ser parte da solução para o problema da segurança no Paraná. A proposta é do cientista social Artur Conceição, do Centro de Estudos de Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Conceição defendeu a idéia no Seminário de Segurança promovido pela Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa ontem no Centro de Convenções de Curitiba. ''O problema é que se fala muito hoje em combater o crime. Crime não se combate, se previne'', aponta.
Para o cientista, a formação de batalhões especiais dentro das polícias fomentam a escalada do crime. ''Os bandidos acabam se preparando para enfrentar a polícia com cada vez mais violência'', diz. Outra questão levantada pelo professor é a pouca participação dos policiais de base no planejamento das ações na área. ''A polícia é organizada de tal forma que não há nenhuma chance do soldado que fica no patrulhamento de rua chegar a cargos de liderança dentro da organização'', explica.
Outro tema abordado por Conceição encontrou ressonância, pelo menos em parte, na fala do comandante da Polícia Militar, Coronel Anselmo José de Oliveira: a multidisciplinaridade das ações de segurança pública. ''O crime nasce no coração do ser humano e nas relações humanas. Temos que pensar em formas de combater o crime que entendam a dimensão humana do problema'', declarou.
Durante o Seminário de Segurança, que reuniu cerca de 350 vereadores de diversas cidades do Paraná, o tráfico de drogas foi apontado como principal fomentador de crimes no estado. ''Os dados que temos que é 70% dos crimes contra a vida cometidos no Paraná tem origem na droga, especialmente o crack'', informou o deputado estadual Mauro Moraes (PMDB). Esse tipo de crime deverá ser enfrentado por ações anunciadas durante o evento pela PM e pela Secretaria Especial Anti-drogas de Curitiba.
A PM deverá lançar em junho uma operação para impedir que carregamentos de entorpecentes cheguem ao mercado consumidor e promover o desmantelamento de quadrilhas. Batizada de Operação Samurai, a ação irá utilizar o Batalhão de Choque como tropa de operação. ''É uma iniciativa em conjunto com as Polícias Civil, Federal e com o serviço 181'', disse.

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