Brasília, 14 (AE) - O PFL está levando em frente seu projeto para lançar candidato próprio à Presidência da República em 2002. A análise é do cientista político Valder de Góes, diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), que coordenou uma pesquisa sobre a visão do Congresso quanto ao desempenho do presidente Fernando Henrique Cardoso e a importância das eleições deste ano para o próximo pleito presidencial. "Em maio de 1999, em enquete após a convenção do PFL, o partido já demonstrava o desejo de independência, quando 6% dos entrevistados responderam que apoiariam o candidato do presidente Fernando Henrique em 2002 e 88% defenderam candidatura própria", disse Góes.
A pesquisa foi realizada entre os dias 15 de março e 6 de abril deste ano com questionários dirigidos a 361 deputados e 53 senadores, divididos por blocos partidários. Um dos pontos mais curiosos é a percepção dos partidos sobre o desempenho do presidente Fernando Henrique. No PFL, 4% das respostas foram para a categoria "péssimo" e apenas 8% "muito bom". A maioria dos entrevistados - 49% - julgou o desempenho do presidente como "bom", seguido por "regular" - 31%.
Na mesma questão, 4% dos correligionários do presidente responderam que é "ruim" seu governo e 18% consideraram a administração "regular". O PPB aparece como o partido mais rebelde da base: nenhum parlamentar reconheceu como "muito bom" o governo de Fernando Henrique. Mesmo com essa falta de fidelidade explícita, no geral, a avaliação do governo federal não foi das piores, segundo Góes, "principalmente, se comparada ao resultado das pesquisas feitas com a população".
Outra questão que mostra o predomínio do projeto pefelista é a que aponta dois nomes do partido entre os quatro primeiros mais lembrados como fortes candidatos à Presidência. O ex-ministro Ciro Gomes (PPS) aparece em primeiro lugar, seguido pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Em terceiro e quarto lugares vêm os pefelistas Roseana Sarney, governadora do Maranhão, e o senador baiano Antonio Carlos Magalhães.
A pesquisa também questiona os parlamentares sobre qual a importância do resultado das eleições de 2000 para a sucessão presidencial. Para 41% dos congressistas é "muito importante" e para 45% é "importante" o resultado das eleições deste ano.

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