Londrina - A cientista política Maria Aparecida Abreu diz que "é impossível estabelecer uma causa inequívoca" para a diferença entre mulheres e homens na ocupação de cargos mais altos na hierarquia da administração pública.
"Em primeiro lugar, o fator mais apontado é o fato de as mulheres serem mães e serem as maiores responsáveis pelos trabalhos domésticos, ainda que não desempenhados de forma direta, mas ‘gerencial’. Em segundo lugar, os homens sofreriam menos resistências de equipes para serem chefes e, cada vez mais novos, são vistos como aptos para exercer funções de chefia e liderança", afirma a professora.
"Este segundo fator estaria associado a uma convenção de gênero segundo a qual as características dos homens são mais adequadas para ‘chefiar’. As mulheres, então, estariam como que ‘fora do lugar’ exercendo funções de chefe. São convenções de gênero, em nada amparadas na literatura e na experiência empírica", relata Maria Aparecida.
A professora defende a adoção de políticas afirmativas para a redução dessa desigualdade na administração pública. "Os países que conseguiram uma maior equidade entre homens e mulheres na vida administrativa e política realizaram alguma política de cotas. Sou completamente a favor. É uma pena que a política de cotas para as mulheres na representação política aqui seja tão tímida, e na vida administrativa se resuma a um ‘selo’ de equidade de gênero", argumenta.(F.G.)

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