Nova York, 10 (AE-AP) - Um cientista que trabalhava num projeto confidencial do Pentágono em 1997 forneceu à China dados secretos sobre o desenvolvimento de tecnologia avançada de radares para detectar submarinos, informou o The New York Times em sua edição de hoje.
Segundo registros da Justiça e documentos do governo, citados pelo jornal americano, a tecnologia de detecção de submarinos é zelosamente protegida pelo Pentágono porque a habilidade da Marinha para esconder seus submarinos representa uma vantagem militar crucial.
A informação sobre a tecnologia de radar, considerada promissora e em desenvolvimento há duas décadas, de acordo com o NYT, foi divulgada para especialistas chineses em armas nucleares durante uma palestra de duas horas em Pequim, em maio de 1997, do cientista americano Peter Lee, conforme os registros da Justiça. Na época lee trabalhava na TRW Inc., empresa contratada pelo Pentágono.
Promotores públicos federais de Los angeles querian processar Lee por espionagem, mas não puderam fazer isso, em parte porque altos oficiais da marinha em Washington não iriam permitir depoimentos sobre a tecnologia em um tribunal aberto, disseram ao jornal funcionários encarregados da aplicação da lei.
De acordo com o NYT, o Departamento de Justiça em Washington, que também tem suas questões sobre o assunto, também não iria permitir o processo. Em vez disso, Lee terminou considerando-se culpado por ter dado informações falsas sobre sua viagem à China em 1997 e por divulgar dados secretos sobre laser para cientistas chineses durante uma visita anterior à China, em 1985.
Apesar do fracasso em processar Lee sobre a tecnologia de radar, continua o jornal, o caso demonstra que o alcance da espionagem chinesa é mais amplo do que as afirmações sobre roubos no Laboratório Nacional de Los Alamos, os quais envolvem um outro cientista sino-americano, Wen Ho Lee.
Segundo o jornal, desconhece-se se os dois homens têm alguma relação entre si. A tecnologia de submarinos no caso de Peter Lee foi desenvolvida no laboratório Nacional Lawrence Livermore, um centro de pesquisas sobre armas na Califórnia.
Para o The New York Times, o caso de Peter Lee também é significativo porque demonstra claramente que o governo americano acreditou que a China estava continuamente engajada em espionagem - obtendo secretos de defesa dos EUA - durante o segundo mandato do prsidente Bill Clinton.

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