Buenos Aires, 02 (AE) - O aumento da poluição, o aparecimento de bactérias resistentes aos antibióticos e o aquecimento da atmosfera podem provocar novas epidemias, das quais a aids é simplesmente um exemplo.
O alerta sobre as chamadas "doenças emergentes" foi feito pelo cientista francês Luc Montagnier, que está em Buenos Aires para um ciclo de conferências e para a análise da possibilidade de abrir na Argentina uma sucursal da Fundação Mundial de Pesquisa e Prevenção da Aids, que comanda.
Segundo o cientista, as "doenças emergentes" não são novas: "Elas já existem, mas por meio do turismo acaba aocorrendo uma expansão global dessas patologias". O cientista francês alertou também para a falta de prevenção e suas graves consequências, somadas à expansão global de novas cepas da aids: "as novas variantes do HIV estão surgindo pela mistura de duas variedades. Uma pessoa infecta-se sucessivamente de duas cepas do vírus, o que produz uma combinação dos genes, criando uma nova e poderosa cepa".
Montagnier citou o caso da China, onde apareceram novas cepas do vírus, adaptados às características da população local. Ele também comentou o caso da áfrica, "onde as cepas são mais fortes ainda. Ali, elas transmitem-se mais fácil e rapidamente".
Segundo o pesquisador "a evolução da doença torna necessário encontrar uma vacina". A procura de uma vacina preventiva tem sido uma das linhas de pesquisa que menos suscitaram interesse. Montagnier lamenta, e afirma que têm causado mais atenção as terapias antivirais do que uma vacina preventiva, que mesmo sem impedir a entrada do vírus no organismo, pelo menos possa bloquear seu desenvolvimento.
Falando para uma atenta platéia de pesquisadores da América Latina, Montagnier sustentou que as primeiras tentativas de conseguir uma vacina utilizaram os mesmos princípios das vacinas utilizadas anteriormente para outras doenças causadas por vírus: "Por exemplo, utilizando a proteína que está na superfície do vírus para induzir o sistema imunológico a produzir anticorpos".
No entanto, afirma Montagnier, "este enfoque foi um fracasso, porque a estratégia do vírus consiste em enganar o sistema imunológico apresentando suas partes mais variáveis".
O cientista lamentou que os comportamentos preventivos estão tendendo a diminuir nos países desenvolvidos porque as pessoas imaginam que as triterapias vão resolver os problemas. Paradoxalmente, Montagnier disse que em países subdesenvolvidos houve experiências de sucesso na redução do número de pessoas infectadas graças ao uso de preservativos.
No entanto, esta redução somente ocorreu entre homens jovens. "Não ocorreram resultados positivos entre as mulheres, já que em diversos países, por questões culturais, elas não podem recusar-se a um contato sexual sem preservativos".
Apesar do panorama pessimista que apresentou em Buenos Aires, Montagnier disse que está "otimista" em relação à cura da Aids.

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