Ciência não explica ferimentos
Os enfermeiros Gilberto Berg e Lidiane Godoy Hecko ficaram aparentemente chocados com as informações sobre o vidente Valdecir Antonio Moroti. Eles são especialistas no tratamento de feridas e foram procurados pela FOLHA para analisarem o caso. Ambos concordaram em falar, mesmo reconhecendo a dificuldade de fazer um diagnóstico sem conhecer o paciente.
Berg e Lidiane disseram que as feridas, de maneira geral, podem ser causadas tanto por traumas, onde a incidência é maior, como por alguns tipos de doença. No primeiro caso estão as crianças e idosos, que se ferem em casa, ou os jovens, que se ferem em acidentes. As feridas ainda podem ter origem em doenças pré-existentes, como diabetes, hanseníase, hipertensão arterial ou problemas de circulação sanguínea.
Os dois enfermeiros dizem que as úlceras provocadas por doenças podem durar anos, ou décadas, sem que se cicatrizem. Há situações também em que elas cicatrizam e voltam a aparecer algum tempo depois. Na maioria dos casos, entretanto, o próprio organismo se encarrega de cicatrizá-las.
Berg afirma que é possível o sangue de um ferimento aberto exalar algum tipo de cheiro. Segundo ele, o organismo humano tem um sistema de defesa que pode ser afetado por bactérias quando há rompimento de pele. O cheiro depende do tipo de bactéria que ''colonizou'' o ferimento. O enfermeiro diz que a atitude do vidente em manter os ferimentos cobertos está correta para evitar contatos com sol, umidade e poeira e também porque nenhuma lesão pode ficar exposta.
Os dois especialistas dizem que gostariam de conhecer o vidente por curiosidade científica, sem a pretensão de sugerir tratamento. (E.A.)





