O dono do imóvel faz o que quer na calçada. O sistema público do transporte coletivo é feito para quem pode subir no ônibus. Existe uma distância grande entre o que é projetado e o que é executado nas cidades brasileiras. Esses são apenas alguns exemplos de uma série de impedimentos que os deficientes enfrentam no seu dia-a-dia, afirmou ontem o assessor técnico Hélcio Rizzi, da Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), com sede em Brasília. Ele participou do encerramento da 2 Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, no Teatro Filadélfia. O evento discutiu diretrizes para as políticas públicas de atenção à pessoa com deficiência para os próximos dois anos.
Segundo Rizzi, as cidades brasileiras têm que evoluir muito para permitir o acesso de deficientes físicos às áreas públicas, ao transporte coletivo, à comunicação e informação. ''O nosso sistema é ruim porque dificulta o acesso, mas a legislação vem no sentido de mudá-lo e o Ministério Público e a sociedade organizada têm papel fundamental para garantir os direitos do deficiente'', disse Rizzi.
Para ele, o grande entrave está justamente no modelo existente que perdura há séculos. ''O sistema de transporte coletivo, por exemplo, é um dos principais gargalos que impedem o deficiente de ter acesso ao transporte. Além dos veículos não serem adaptados para o embarque, não possuem também mensagens em braile ou letreiro claro que possibilite uma boa comunicação'', disse.
Dentro do Programa Brasil Acessível, do Ministério das Cidades, informa ele, uma série de ações está prevista para capacitação de profissionais do transporte coletivo nos próximos dois meses.

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