Curitiba- O Brasil é recordista na transformação de latas de alumínio. Segundo a Associação Brasileira de Embalagem (ABRE), o País recicla 87% das latas de alumínio produzidas. Países desenvolvidos, como o Japão, reaproveitam menos: a taxa é de 83%; nos Estados Unidos o índice é de 54%, enquanto a média nos países europeus gira em torno de 46%.
Apesar disso, ainda há muito por fazer quando se fala em resíduos sólidos. O Brasil produz entre 240 mil e 300 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, dos quais 100 mil toneladas são de lixo domiciliar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Ministério das Cidades estima que somente 20,3% dos municípios pesquisados têm aterros sanitários dentro dos padrões definidos pela legislação ambiental brasileira. Em 28,7% das cidades não há arrecadação específica para este setor e os gastos são cobertos com verbas de outras fontes. Mais de 90% das prefeituras brasileiras não estimulam a reciclagem, nem têm condições técnicas para efetuá-la.
No Paraná a situação não é diferente. Cerca de 25 dos 399 municípios paranaenses têm coleta seletiva de lixo. Os demais nem sabem sobre a importância da reciclagem. Os dados são da organização não-governamental (ONG) Ecologia Urbana que trabalha com campanhas para redução do lixo urbano e com a organização de carrinheiros em cooperativas.
O presidente da ONG, Marcelo Almeida, esteve em Mamborê (36 km ao sul de Campo Mourão) onde fez a doação de cinco carrinhos de papel para catadores de lixo reciclável e palestras sobre a importância da reciclagem. ''Em Mamborê não existe hoje nenhum sistema de separação de lixo. Ninguém sabe ao certo quando custa e por quanto se pode vender este tipo de material. O que queremos é fazer campanha nos pequenos municípios mostrando que a dona de casa pode reciclar seu lixo e separá-lo. Fica mais barato fazer a destinação final do lixo. Para a própria sociedade'', pontuou ele.
Almeida estima que uma pessoa gera em torno de 800 gramas de lixo por dia. Cerca de 50% do que é gerado é matéria orgânica, que pode ser decomposta no quintal de casa e não precisa ser destinada aos lixões e aterros sanitários (que podem ter mais vida útil). Outros 25% são materiais que precisam ir para o lixo (fraldas plásticas sujas, material que não pode ser decomposto nem reciclado). Vinte e cinco por cento podem ser separados e vendidos para reciclagem.
''Curitiba, que tem reciclagem há 15 anos e é pioneira no Brasil na separação de lixo, ganhou cerca de três anos de vida por causa dos carrinheiros, que fazem o trabalho de separação do material reciclado. Precisamos criar logística nas regiões. O material coletado em Mamborê, por exemplo, que é uma cidade pequena, pode ser vendido em Campo Mourão. Tem como fazer, o que precisa é envolvimento da sociedade e das prefeituras'', lembrou.

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