Cidades paulistas freiam coronavírus com limpeza de ruas, isolamento e máscaras


MARCELO TOLEDO
MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar de a pandemia do novo coronavírus avançar cada vez mais para o interior, há cidades que têm adotado medidas que têm contribuído para reduzir o ritmo da disseminação da Covid-19 em São Paulo.

Dos 645 municípios paulistas, havia casos confirmados da doença em 504, até sábado (23), segundo a Secretaria de Estado da Saúde, com possibilidade de até o final do mês a doença ter se alastrado para todos as localidades de São Paulo --a incidência depende dos índices de isolamento. Há um mês, eram 241 cidades.



Entre as medidas tomadas por elas estão a antecipação de protocolos, a desinfecção de ruas, a criação de pórticos para "nebulização", a contratação de seguranças para coibir aglomerações, barreiras para detecção precoce de suspeitas de síndrome gripal e o respeito da população a medidas como o uso intenso de máscaras.

Em Santo Antônio do Pinhal (a 170 km de São Paulo), no último dia 15 um decreto da prefeitura flexibilizou atividades econômicas, sob o argumento de que as ações da Vigilância Epidemiológica indicavam a redução e o controle dos casos de síndromes gripais. Máscaras já eram usadas muito antes da capital paulista.

Foram abertas clínicas, lojas de materiais de construção, de insumos agrícolas, assistências técnicas, bancas de jornais e oficinas mecânicas, desde que vetem a entrada de quem estiver sem máscara. Também definiu medidas como o espaçamento entre as pessoas e a disponibilidade de álcool em gel ou lavatório com sabonete líquido e toalha de papel aos clientes.

A cidade de 6.811 habitantes tem sete casos da Covid, com uma morte, mas moradores afirmam que o cenário poderia ser muito pior se as medidas não fossem respeitadas pela população.

"É incrível, muitos dizem que em outros locais está bagunçado, mas aqui as pessoas são muito disciplinadas. O distanciamento tem sido feito de forma correta e o mais importante é que 100% das pessoas usam máscaras", disse o francês Jean-François Daniel, 37, que tem uma microchocolateria na cidade.

Radicado no Brasil há sete anos, ele afirmou que em outros municípios para os quais tem de se deslocar a trabalho o uso de máscara é mais baixo e que precisou se reinventar no comércio em meio à pandemia. Disse que a sua produção de chocolates caiu 30%, mas a margem de lucro subiu até 50% ao passar a vender direto para o consumidor final.

Já Monteiro Lobato, cidade vizinha, de menos de 5.000 habitantes, não tinha nenhum caso da doença até a última semana, após ter adotado medidas como contratar seguranças para dispersar aglomerações, incluindo de turistas.

Eles também são acionados para coibir jogos de futebol irregulares ou controlar fluxo de pessoas em locais como bancos ou supermercados, o que tem dado resultado, segundo a prefeitura. A cidade tem um caso confirmado da Covid-19.

Em Taquaritinga, distante 90 km de Ribeirão Preto, a prefeitura definiu uma série de medidas já em janeiro, quando o país ainda não tinha registrado casos, segundo o secretário da Saúde, José Fonseca Neto, presidente do comitê de crise criado devido à Covid-19.

Com seis casos da doença numa cidade de 57 mil habitantes, os acessos foram fechados em março e os dois que estão abertos são monitorados das 7h às 22h por agentes que verificam temperatura e possíveis sintomas da doença. Em caso suspeito, as pessoas são enviadas ao "gripário" criado num ginásio de esportes. Sem máscara, ninguém entra na cidade.

Oito "pulverizadores" têm sido usados na região central com uma substância de desinfecção para que as pessoas passem por eles e foi montada base da Vigilância Sanitária com três agentes o dia todo.

O comércio da cidade teve setores abertos no último dia 5, exceto igrejas, bares e lanchonetes, medida que, conforme o secretário, foi adotada por causa dos protocolos seguidos pela população. Nos supermercados, crianças são proibidas e o uso de máscara foi definido há dois meses.

Outras duas medidas foram a pulverização de veículos como ônibus e caminhões e vaporização nas ruas. No sábado (23), 35 tratores foram às ruas espalhando um líquido que contém bactericidas --que também auxiliam no combate à dengue. "Não descobrimos outra maneira de fazer mais alguma coisa. A doença deve aparecer, mas estamos fazendo tudo o que é possível", disse o secretário.

Outras cidades com baixo registro de casos têm adotado a desinfecção de ruas como forma de combater a doença, até aqui com sucesso.

São os casos de Cabrália Paulista, uma das 141 localidades que ainda não tiveram casos confirmados da doença, Guzolândia (1 caso) e Quintana (4)



Nelas, pulverizações em alguns casos até semanais estão sendo feitas nas ruas com hipoclorito de sódio (água sanitária), distribuído por meio de tratores e comprado com recursos das prefeituras ou doados por empresas.

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