Curitiba - A indicação de São José dos Pinhais, município com aproximadamente 290 mil habitantes, é explicada por semelhanças com o perfil das cidades ucranianas. ‘‘São José foi escolhida por ser a primeira da região metropolitana a não depender mais de Curitiba para atender os pacientes’’, explica João Rodrigues Neto, coordenador do Programa de combate à aids no município. Ele ressalta que a cidade foi escolhida justamente por ser uma cidade pequena, semelhante às cidades da Europa. ‘‘Os ucranianos vão ver que é possível uma cidade pequena ter todo o serviço necessário.’’
  O programa foi criado oficialmente em outubro de 2001, mas foi no ano passado que a Secretaria de Saúde de São José dos Pinhais conseguiu implantar toda a estrutura necessária. Hoje, o município conta com o CTA, para realização de testes de detecção da presença do vírus; Serviço de Atendimento Especializado (SAE), com equipe especializada para acompanhamento dos doentes e estrutura de distribuição dos medicamentos.
  Desde o primeiro caso da doença no Estado, em 1994, João Rodrigues Neto acredita que o município registrou cerca de 200 casos da doença. ‘‘Ainda estamos resgatando os dados para fazer um boletim mais exato, já que não há informações corretas anteriores à implantação do programa’’, disse. No ano passado, São José dos Pinhais registrou 25 novos casos, sendo 12 em homens e 13 em mulheres.
  Atualmente o programa atende cerca de 200 pessoas mensalmente. O atendimento inclui uma consulta mensal para avaliação clínica, exame de contagem de células de defesa (CD 4 e CD 8) a cada quatro meses, dois exames de contagem da carga viral – quantidade de vírus existente no sangue –, que determina a necessidade e o tipo de medicamento. João Rodrigues Neto calcula que entre medicamentos, pagamento de pessoal qualificado, realização dos testes, os gastos fiquem em cerca de R$ 2 mil por paciente ao mês. A prefeitura investe aproximadamente R$ 400 mil mensais no programa.
  Para Rodrigues, todos esses investimentos são mais do que justificáveis. Há dez anos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, o índice de óbitos era de 77%.
Com o avanço em medicamentos, atendimento qualificado e conscientização da população sobre a importância de realizar exames para a detecção precoce da presença do vírus, o índice de óbitos caiu para 20% em 2002. No ano passado a secretaria registrou 914 novos casos e 183 óbitos.

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