Curitiba- A conservação da natureza, a urbanização de favelas e a luta para reduzir as perdas globais da biodiversidade são os temas em pauta desde ontem, em Curitiba, na reunião Cidade e Biodiversidade: atingido a meta de 2010. O encontro é organizado pela secretaria executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU). Participam 70 pessoas, entre representantes de 30 municípios e dez países. A idéia é elaborar um documento, que trará compromissos das cidades para redução das perdas de biodiversidade no mundo, e que será levado para discussão na 9 Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP9), que ocorrerá em Bonn, na Alemanha, no ano que vem.
O secretário-executivo da CDB, Ahmed Djoghlaf, quer que os participantes troquem experiências para que as crianças do futuro possam ser mais respeitadas e vivam em um ambiente sadio. A maior preocupação é com os grandes centros urbanos. Dados da CDB mostram que 411 cidades do mundo têm mais de 1 milhão de habitantes. E o quadro deverá se agravar até 2050, quando mais de 70% da população mundial viverá nos centros urbanos. ''Essas pessoas passarão a viver em países ricos de biodiversidade como o Brasil, a China e a África do Sul. Temos que nos unir para que a biodiversidade não acabe. Temos que preservar'', ponderou. A cada ano, cerca de 50 mil espécies desaparecem no mundo.
O prefeito de Montreal (Canadá), Gerald Tremblay, está preocupado com o cumprimento das metas de preservação da biodiversidade para 2010. Muitos países ainda não seriam signatários da CDB e podem prejudicar o mundo. ''Temos o papel de mudar essa situação. Somos nós, os administradores de cidades, que podemos mudar algo. Somos líderes naturais da nossa comunidade. Somos os eleitos para levantar o conceito da urgência para ação'', disse.
Para ele, cinco são os componentes para que as pessoas possam perceber a urgência pelas ações: liderança, tensão útil (lembrança de catástrofes naturais que permanecerão, se nada for feito), finalidade moral (futuro da humanidade), conhecimento (repassar para a população a necessidade de mudança de forma clara, simples e compreensível) e receptividade.

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