Nem mesmo a cooperativa do MST, que funciona em Querência do Norte, foi aberta ontem, durante a invasão dos policiais na cidade. O município, que se tornou conhecido popularmente como ‘‘a cidade dos sem-terra’’, transformou-se na cidade da PM. Nas ruas a concentração de populares criava um clima de tensão e curiosidade. Poucos quiseram comentar a ação da PM.
As opiniões estavam divididas. Enquanto alguns concordavam com a operação, outros se mostravam indignados. Um morador, que não quis se identificar, disse que a operação de desocupação feita pelos policiais teve apenas um lado positivo: evitou que os fazendeiros entrassem nas áreas invadidas para matar os sem-terra. ‘‘Já tivemos muita morte aqui, e se a polícia não os retirasse, os fazendeiros iam mandar matar’’, disse.
A ação policial também intimidou as liderenças do MST. O líder Celso Anghinoni foi localizado, mas correu assustado, imaginando ser uma equipe de policiais. Só depois da reportagem se identificar, ele concordou em voltar e, emocionado, chorou ao falar da operação. Segundo Anghinoni, as pessoas que planejaram a desocupação não querem o desenvolvimento da região. ‘‘Eles não se conformam em ver que nas áreas assentadas a lavoura está se desenvolvendo e os trabalhadores estão tendo uma vida melhor. Eles querem que a gente continue na miséria’’.

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