São Paulo, 27 (AE) - Da atividade independente, que surgiu como meio de driblar o desemprego e preencher as brechas deixadas pelo transporte público, pouco sobrou. Hoje, são 16 mil perueiros clandestinos, segundo a São Paulo Transporte (SPTrans)
e pelo menos 11 mil deles deixaram a informalidade inicial para prestar serviços a "organizações" - as ditas empresas de peruas, algumas com ligações perigosas com o banditismo.
"Os 5 mil restantes trabalham por conta, mas têm de pagar, seguir regras e responder a lideranças", diz o major Luiz Flaviano Furtado, da SPTrans, para quem essa adaptação hierárquica é falta de opção.
Com o crescimento desordenado - na versão da categoria, os clandestinos chegam a 30 mil - as máfias tomaram conta das linhas e exigem pagamento para o uso do trajeto. De simples alternativas aos ônibus, as peruas passaram a ser concorrentes - transportam cerca de 1 milhão de passageiros por dia.
Para começar com uma perua é preciso pagar de R$ 5 mil a 10 mil pela linha. Por dia, o perueiro ainda desembolsa de R$ 60 00 a R$ 75,00 para o fiscal. O organograma das "empresas" começa com o dono da linha - empresário, policial ou até traficante -, seguido do coordenador, fiscal e segurança.
Depois, vêm os motoristas e os menores cobradores. O primeiro ganha R$ 3.000,00, segundo a SPTrans, e R$ 1.500,00, conforme a categoria. De qualquer forma, o salário supera o do motorista de ônibus - R$ 850,00 - e atrai de advogados a faxineiros. Os menores ganham R$ 300,00 e são usados para "esquentar" protestos, por serem inimputáveis.
As "organizações" contam com equipamentos modernos para evitar apreensões. São rádios, pagers, codinomes e palavras-chave para contar aos colegas sobre os intrusos, como "maria bonita", o fiscal da SPTrans.

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