Cidade se destaca em índice da ONU
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
Ney de SouzaMarechal Cândido Rondon A desconcentração agrária, a diversificação agrícola, os recursos provenientes dos royalties da Itaipu Binacional e a intensa vida comunitária contribuíram para que Marechal Cândido Rondon (180 km ao norte de Foz do Iguaçu) fosse conhecida como um município de qualidade de vida superior à média estadual.
Rondon (com é chamada pelos moradores) está comemorando a posição de destaque conseguida pela cidade na lista da Organização das Nações Unidas (ONU) que aufere a qualidade de vida em todos os países do mundo. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município é o terceiro melhor do Estado. O primeiro é o de Curitiba e o segundo, o de Maringá. A ONU avalia estatísticas e estimativas sobre renda, saúde e educação.
Este resultado se deve às parcerias entre a administração municipal e a estrutura comunitária do município, que geraram uma ação pública constante e eficiente, declarou o prefeito Ariston Limberger (PMDB), logo após o anúncio feito no início de setembro, pelo principal organismo internacional.
Um dos segredos do bem-estar social da nossa população rural consiste na força das pequenas propriedades, avalia Renato Valdemar Kaefer (PMDB), vice-prefeito e secretário da Indústria, Comércio e Turismo. A explicação para o fenômeno é o modelo adotado há meio século pela Maripá, colonizadora que dividiu as terras em colônias rurais, trazendo imigrantes alemães que, primeiramente, se instalaram em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O resultado é que 87% dos moradores do município têm sobrenome germânico.
Kaefer lembra que a imensa maioria das propriedades de Marechal Cândido Rondon tem até 25 hectares e a diversificação das culturas torna a atividade agrícola rentável. A mesma família que produz milho, soja e trigo, também cria porcos, aves, vacas leiteiras ou peixes, exemplifica o vice-prefeito.
Em contrapartida, o modelo agrário desconcentrado trouxe problemas. Os filhos das numerosas famílias, sem condições de continuar nas propriedades dos pais - pequenas e mecanizadas -, optaram pela migração rumo ao Centro-Oeste do País ou à zona urbana do município.
A partir deste momento, a comunidade se convenceu que a industrialização era uma necessidade, diz Kaefer. A falta de cursos superiores que facilitassem a industrialização com tecnologia de ponta, fez a administração municipal se voltar para a agroindústria. Os 1.092 alunos do câmpus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) na cidade cursam letras, educação física, história, ciências contábeis, administração, agronomia e geografia.
A cidade possui um grande moinho de trigo, o Nonita (150 empregados), e um grande laticínio da Cooperativa Central Agropecuária do Sudoeste (Sudcoop), com mais de 200 empregados e capacidade para processar 450 mil litros de leite/dia (maior unidade processadora de leite da América Latina). O moinho e o laticínio funcionam como chamariz para o último grande investimento no ainda incipiente setor industrial da cidade. A Faville, grupo de Medianeira que produz biscoitos, gastou US$ 8,5 milhões para montar sua fábrica, aproveitando a abundância das matérias-primas: trigo e leite.
Nosso objetivo não é partir para a atração de megaempreendimentos. Queremos que as indústrias cresçam junto com a cidade, afirma o vice-prefeito. O Fundo Municipal de Desenvolvimento financia, com juros subsidiados e prazo de cinco anos, empresas que queiram se estabelecer em Rondon.
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