Cascavel - O primeiro caso suspeito de ebola no Brasil, registrado na última quinta-feira em Cascavel (Oeste), preocupou as autoridades de saúde do município, do Estado e do governo federal, mas também mostrou que a cidade esteve adequadamente preparada para lidar com o procedimentos que o quadro exige. Essa é avaliação da equipe da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e da 10ª Regional de Saúde de Cascavel.
O africano Souleymane Bah, natural da Guiné, um dos países com surto da doença, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília, na região norte de Cascavel, por volta das 10 horas da última quinta-feira. Foi atendido cerca de três a quatro horas depois. Relatou que estava se sentindo fraco, tinha apresentado um quadro febril e que antes de deixar a África tomou antibiótico.
A descrição de seu estado e, principalmente, o fato dele ter vindo de um país contaminado pelo vírus ebola fizeram com que o médico que o atendeu suspeitasse de que ele pudesse ter contraído a doença. Imediatamente, o paciente foi isolado na unidade, e o caso, comunicado à Vigilância Epidemiológica da Sesau, que acionou a 10ª Regional de Saúde. Em seguida, a suspeita chegou até o Ministério da Saúde.
A UPA foi imediatamente fechada para atendimento, e as 60 pessoas que tiveram algum tipo de contato com o africano, entre pacientes, funcionários e equipe médica, permaneceram por lá para ser atendidas. Elas receberam roupas limpas, tomaram banho e foram liberadas ontem pela manhã, com a orientação de que façam a aferição da temperatura duas vezes ao dia. A unidade passou por um processo de desinfecção pela manhã e foi reaberta ao público às 13 horas. A equipe médica que atendeu o africano dobrou seu turno para que os plantonistas que entrariam na unidade a partir das 19 horas de quarta-feira fossem dispensados, evitando o risco de qualquer contágio.
"Temos feito um treinamento desde agosto nas unidades de pronto atendimento, nos postos e hospitais para sensibilizar os profissionais sobre os riscos de contágio de uma doença que até então a gente imagina que não chegará até nós. E a UPA Brasília especificamente é uma fonte notificadora muito boa de casos suspeitos, seja de dengue, malária, e agora, ebola", afirmou a médica da Vigilância Epidemiológica da Sesau, Maria Fernanda Ferreira.
Além de monitorar os pacientes e servidores que tiveram um contato mais próximo com o paciente africano, a Sesau e a 10ª Regional de Saúde também vão acompanhar os usuários que dividiram a sala de espera com o africano enquanto ele aguardava para ser atendido. "Já temos contatos dessas pessoas através das fichas de atendimento e vamos orientá-las a também fazerem a aferição de suas temperaturas para checar se estão com o quadro febril", informou Ferreira.
O diretor da 10ª Regional de Saúde, cirurgião Miroslau Bailak, disse que o Comitê de Urgência e Emergência do órgão também atuou diretamente no caso, auxiliando as equipes de Vigilância Epidemiológica do município e do Ministério da Saúde quanto ao encaminhamento do paciente, que foi levado ao Rio de Janeiro na madrugada de ontem. Bailak observou que o fato do paciente não ter apresentado os sintomas associados ao vírus ebola durante o período em que esteve internado na UPA pode ser um bom sinal de que a doença seja descartada. "O importante é que mesmo ele tendo dito que veio da Guiné, associado a um quadro anterior febril, não teve febre, diarreia, vômito e hemorragia, pode significar que muito provavelmente não seja ebola", ponderou, lembrando que o Ministério da Saúde descartou o quadro de malária. "Pode ser dengue, HIV, leucemia. Os exames e a evolução do quadro é que vão identificar a doença", explicou.
A médica da Vigilância Epidemiológica afirmou que pode até ser ruim para a imagem Cascavel ter um caso notificado suspeito do ebola, mas destacou: "O importante é estar preparado, saber que o risco existe, mas agir precocemente. E foi o que fizemos", avaliou Maria Fernanda Ferreira.

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