Cidade mais atingida no RJ enfrenta saques
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Sérgio Torres Agência Folha 
CARDOSO MOREIRA - As chuvas que há cinco dias atingem o Norte do Estado do Rio transformaram a cidade de Cardoso Moreira em um cenário de horrores. Falta água e comida para os 10.000 desabrigados e as residências, abandonadas, estão sendo saqueadas. A 320 km do Rio, Cardoso Moreira teve mais de 95% de sua população (cerca de 11 mil habitantes) expulsa de casa pela cheia do Rio Muriaé, que subiu quase 10 metros.
O prefeito Gilson Siqueira diz que a comida doada pelas comunidades vizinhas tem sido insuficiente para alimentar os desabrigados que procuram ajuda da prefeitura. A situação é terrível. A população já não tem como adquirir alimentos, disse o prefeito, que está na rua: a sede da prefeitura e sua própria casa foram inundadas pela cheia. O governador Marcello Alencar afirmou ontem que irá pedir ajuda ao governo federal.
Espírito SantoNo vizinho Espírito Santo, as enchentes já desabrigaram 6,1 mil pessoas, em 9 municípios, principalmente nas divisas com Minas e Rio. O governo do Estado também vai pedir ajuda financeira em Brasília. Parou de chover ontem à tarde e o nível das águas dos rios que cortam as cidades se estabilizou. Não há mortos.
A cidade mais prejudicada é Bom Jesus do Norte, na divisa com o Rio, onde 2.400 pessoas estão desabrigadas. O Rio Itaboana, que corta a cidade, está 5 metros acima do nível normal e já invadiu 50% das casas. Muitas famílias estão alojadas no ginásio municipal de esportes.
O município de Colatina, no Norte do Estado, é o segundo mais atingido. Duas mil pessoas ficaram desabrigadas depois que o Rio Doce subiu 7 metros.


