Marta Medeiros
Especial para a Folha
Deficientes físicos encontram na área central de Maringá condições ideais de locomoção. Nas calçadas existem guias rebaixadas e nos principais pontos comerciais e na maioria dos órgãos públicos o acesso é facilitado por rampas. Banheiros adaptados e estacionamentos reservados também beneficiam a rotina de quem necessita de condições especiais para se locomover. Nos bairros da periferia, porém, não existe a mesma estrutura.
A bailarina Andréa Luz diz que reclama com frequência da falta de respeito, principalmente de motoristas, que estacionam em frente das guias rebaixadas. ‘‘Ligo para o 190 quando não consigo acessar uma rampa ou guia por causa de um carro parado de forma irregular’’, afirma. Andréa utiliza cadeira motorizada e tem um carro adaptado. Ela destaca que a grande maioria dos deficientes não tem condições financeiras nem para adquirir uma cadeira de rodas simples.
Segundo Adréa, no último levantamento feito pela prefeitura, haviam 550 deficientes físicos. Metade estava em cama ou sofá por falta de uma cadeira. Ela adianta que até o final de agosto, 11 entidades devem concluir um censo para identificar o número atual de deficientes na cidade.
Para o presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Maringá (Adevimar), Cesar Gualberto, a pior situação para o cego é a falta de acesso à informação. ‘‘Não existem nas bibliotecas livros digitalizados ou em braile’’. Ele reclama que o deficiente visual fica privado do conhecimento e da cultura.
Gualberto acha que o ideal seria bibliotecas com setores específicos para os deficientes. Na sua opinião, se diariamente os livros fossem digitalizados, o acervo seria suficiente. ‘‘O cego também tem que competir no mercado de trabalho ou fazer um vestibular. Com a falta de informações e de conhecimento, seu poder de competição fica nulo ou muito limitado’’, ressalta.
Ele diz que a grande conquista da entidade é oferecer aos cegos computador com impressora em braile. ‘‘A Internet é um ótimo meio de informação, mas não fornece livros e nem todos os deficientes podem acessá-la’’.

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