Cidade esotérica reúne turistas e moradores em ritual sagrado
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 11 (AE) - Em um grande círculo, no platô do morro da Baleia em Alto Paraíso (GO), um grupo de 60 pessoas iniciou o dia de hoje participando do Ritual da Mandala Sagrada, enquanto ocorria o eclipse. "Vamos trazer a luz do sol para dentro do nosso ser", orientava o líder da Fundação Arcádia - Irmandade da Luz Solar, Ergom Abraham, que garante canalizar mensagens de seres extraterrestres.
Para ele, ninguém no Planeta é terráqueo. "Cada um se adapta à realidade do mundo que veio", acredita e sustenta que por isso haveria pessoas morando em lugares frios e outros em climas mais quentes. Ele garante ainda que há pessoas com transdutores (espécie de chip) implantados na cabeça que servem para a comunicação com extraterrestres. E que o comandante Ashtar Sheran, da 5ª Dimensão do sistema de Andrômeda, um loiro de dois metros, apareceu com o seu manto azul para uma italiana pedindo a ela que viesse a Alto Paraíso, por duas vezes.
As teses de Ergom atraíram à cidade goiana esotérica paulistas, mineiros, paranaenses, entre outros, nessa semana. Outros turistas também decidiram aparecer em Alto Paraíso, que se popularizou como um dos pontos no mundo a sobreviver a catástrofes neste fim de século. A cidade está tranquila e a história de fim de mundo acabou virando piada entre os moradores. Nos bares comentava-se hoje depois do eclipse que a prefeitura seria obrigada a dizer: "desculpe-nos, o mundo não acabou". Baleia - A cerimônia iniciada simultaneamente ao eclipse no morro da Baleia, com uma vista privilegiada da Chapada dos Veadeiros, durou duas horas e meia. Período em que ocorreram vivências para a abertura da 4ª fase do grande portal 11:11 que, segundo a crença dos seguidores da Fundação Arcádia, começaria com o alinhamento dos planetas. O portal é definido como uma espécie de buraco negro do cosmo por onde o sistema solar atravessaria e, com isso, transmutaria a energia dos seres humanos, que despertarão para o amor mais fraterno.
A abertura do portal seria o momento para entrar em contato com o eu superior e seres planetários. Para induzir os participantes a atingirem esse espaço, Ergom e auxiliares conduziram uma série de vivências. Em uma delas, os pares colocavam-se frente a frente e eram orientados a olhar o outro e passar amor e com gestos de braços e mãos "comprimirem o tempo", "expandirem a consciência" e "abrirem o portal".
O grupo também fez mentalização envolvendo o Planeta com a energia de amor e luz emanada durante o ritual. Os participantes formaram uma mandala no platô cercado por pedras e protegido por 12 guardiãos, que em pé do lado de fora do círculo serviam de escudos para evitar energias negativas. Depois da mandala formada, os participantes iniciaram ao mesmo tempo o mantra "on" e entoaram este som por vários minutos. "Vamos sintonizar nosso ser com o ser planetário", pedia Ergom. Contato - O verdureiro naturalista Mauro Peçanha garante que durante a vivência teve contato com seres de planos mais sutis. Segundo ele, a humanidade está um pouco atrasada em relação ao momento presente. "Eles (os seres) auxiliam o homem a avançar em direção à luz", garante. Peçanha conta ter visto uma energia azul subir da formação da mandala em direção ao alto e uma esfera dourada sair do interior da montanha.
Já a artista plástica Regina Guerra, que veio de Curitiba com o irmão Henrique, um médico homeopata, diz que nada foi visível. "Ocorreu apenas no nível interior", descreve, negando ainda ter tido qualquer contato com os seres. "O que eu senti foi muita paz, um sentimento de fraternidade e solidariedade", explica a artista que trouxe de casa seus cristais para energizar em Alto Paraíso.
Assim como todos os integrantes do grupo, Regina estava em Alto Paraíso por causa do alinhamento dos planetas e não temia o fim do mundo. Pelo contrário, festejava a Nova Era. "É o renascimento para todo mundo". O funcionário público Nilson Fernandes, acompanhado pela mulher e duas filhas, endossa: "o planeta está vivenciando fase de transformação".
Segundo Ergom, no mesmo horário em que os integrantes da Irmandade da Luz Solar estavam em Alto Paraíso reunidos para enviar ao Planeta energia de amor, outros grupos no mundo inteiro também mentalizavam bons sentimentos. "Deve haver cerca de 1 milhão de pessoas reunido no mundo inteiro", previu Ergom.
Não são somente os simpatizantes da Fundação Arcadia que acreditam em extraterrestres em Alto Paraíso. O terapeuta Gessê Pereira, que tem o nome cósmico de Yohan, diz fazer contatos não-físicos, mas sutis, com esses seres desde os nove anos. "Me vi fora do meu corpo e entrei em contato com uma nave", lembra, contando ainda ter recebido deles a informação de que ele seria uma pessoa muito útil para trabalhar com cura pelas mãos. Ele não subiu no morro da Baleia


